sábado, 13 de outubro de 2007

ESCUTISMO DO AR... elitista?






H - O Pe. Manuel Gonçalves Pedro, de saudosa memória, recebeu a ideia do Escutismo do Ar de mãos abertas, e comentou: - "Se há na Força Aérea tantos rapazes, entre os Oficiais, Sargentos e Praças que a servem, Caminheiros e Dirigentes Escutistas de grande qualidade, porque tarda tanto em se dar o passo de gigante que é a criação do Escutismo do Ar?".
k - Um passo já havia sido dado há uns anos bastante largos, quando a Associação dos Escoteiros de Portugal lançou um magnífico "Manual do Escoteiro do Ar", do Chefe Fernand'Almiro. Pena é que não tenha tido o acolhimento esperado, porque não havia então a possibilidade de solicitar qualquer cooperação da Força Aérea, que ainda procurava afirmar-se como Arma no contexto das Forças Armadas, pois as "asas" para voar estavam ainda a ser reforçadas para haver um voo em segurança.
mmm - Certo dia, após falar ao Chefe Victor Touricas, do Agrupamento 552 do Entroncamento, na experiência que estava a fazer no Agrupamento que eu então chefiava, de vir a criar uma Sub-Unidade especializada em questões aeronáuticas, estando a alinhavar um regulamento, ele deu-me um trabalho seu sobre aviões e aviação, que poderiam ser uma base de trabalho importante para a consecução do projecto que tinha em mente. Li, reli, tomei apontamentos... e apresentei ao Pe. Gonçalves Pedro o projecto de um Manuel do Escuteiro do Ar, visando a sua aprovação... mas ele foi mais longe: Levou o trabalho ao então Chefe do Estado Maior da Força Aérea, General Mendes Dias, que deu carta branca para que fosse feita uma edição na Central de Publicações da Força Aérea e a mesma fosse distribuída gratuitamente a todos os participantes no Acampamento do Ar (ACAR), realizado em Leiria, na Mata dos Marrazes... mas não havendo tempo para tal acontecer, só veio a ser cumprido este desiderato no ACAR de Setúbal.
G - Nesse Acampamento pude constatar estar a Força Aérea de alma e coração com a ideia, pois quando o Pe. Gonçalves Pedro disse ao Sr. General que a Sacristia da Igreja da Força Aérea estava a servir como local para a instalação da sede da futura Base de Actividades dos Escuteiros do Ar - a B.A.E.A. - logo colocou à disposição uma das moradias que a FAP detinha em Monsanto e bem assim anunciou que iria ser estudada a cedência de um a dois aviões "Chipmunk", que estavam a ser abatidos ao efectivo, viaturas, material de campo, voos de qualificação para os Escuteiros poderem fazer as suas provas de classe, cursos de saltos em páraquedas, etc. Não se calcula a euforia vivida pelos rapas e raparigas presentes do ACAR de Setúbal, quando estas novidades lhes foram transmitidas. Apenas havia que ser oficializada a vertente "Escuteiros do Ar" no Corpo Nacional de Escutas, e isso foi transmitido pelo Pe. Gonçalves Pedro ao Chefe Nacional, através da Junta Reional de Lisboa, visando estudar-se a documentação e apoios existentes, para proposta ao Conselho Nacional de Representantes...
f - ...mas os homens põem e Deus dispõe! O Chefe Nacional do Corpo Nacional de Escutas, Vitor Faria, foi peremptório e definitivo: - "Não vai haver Escutis do Ar nenhum porque não queremos criar élites dentro do CNE! Nem todos podem ser ' Escuteiros do Ar', porque não há pistas e aviões à disposição de todos os que os queiram utilizar e isso é contra o espírito do Fundador, pois ele preconizou o escutismo para todos!". Deu-me vontade de rir esta posição, pois era absoluta entítese daquilo que se pretendia. Ainda tive o apoio do Chefe Regional de Coimbra, actual Chefe Nacional do CNE, Luis Alberto Lindington da Silva... mas ele era só, de pouco servia num Conselho Nacional manipulável pela Chefia Nacional. Tentei fazer vêr que elite era haver um Escutismo com farda própria, a exigir conhecimentos de mar e embarcações... que só eram possíveis perto de cursos de água, em cursos de rio navegáveis ou de mar. O Escuteiro do Ar apenas tinha uma insígnia de capacidade referente à causa do ar, que podia ser de Piloto, Balonista, Paraquedista, Meteorologista... etc. Em actividades próprias do ar, por exemplo nos ACAR, usariam os jovens Escutas, especialistas do Ar, um lenço especial, com a insígnia dos Escuteiros do Ar colocada no bico do mesmo.
D - Estou convencido que terá o Escutismo Católico Português perdido uma oportunidade de ouro para ter as vertentes Escutistas de terra, mar e ar, pois tarde será o tempo em que os apoios voltem a ser concedidos do mesmo modo, pelas grandes transformações que se têm verificado na Força Aérea e no País. E foi pena, pois a causa do ar sempre fascinou os jovens de todos os tempos... e não se vê que venha a perder esse fascinío, a não ser com procedimentos que lhes vão fazendo fenecer a vontade.
h - Voltaremos a este assunto, assim o espero.

1 comentário:

TrekMan disse...

Caro amigo e irmão,
Descobri o seu blog quando procurava material sobre o ACAR. Criei um grupo no Facebook para tentar reunir informação sobre esta actividade.
Terei todo o gosto de ter a sua contribuição.
Uma forte canhota (do mar para o ar!)
Pedro Brito