quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O QUE É A INSÍGNIA DE MADEIRA ? E GILWELL PARK?

Nos primeiros anos do Escutismo, a formação dos dirigentes fazia-se de forma assistemática e empírica. Formava-se uma patrulha e os jovens pediam aos familiares ou amigos que fossem os seus Chefes. Tornava-se evidente, no entanto, que isso era insuficiente para treinar garotos entusiásticamente interessados em ser Escuteiros. Os Dirigentes, lógicamente, é que precisavam ser preparados na arte Escutista. Sobre o assunto falou o general Sir Robert Lockhart, dirigente da Associação dos Escuteiros de Inglaterra, afirmando, a esse propósito , em 1954:
"O treino é algo absolutamente vital, interessante e importante, porque o nosso Movimento é, acima de tudo, um Movimento de Preparação e Treino..."
"O espírito Escutista não é uma coisa que possa ser ensinado",
disse."Pode ser absorvido e adquirido vivendo com as pessoas que mostram isso publicamente nas suas vidas e numa atmosfera impregnada deste espírito."
Os pioneiros do Escutismo entenderam ser útil e urgente que os Chefes Escuteiros conhecessem os seus objetivos e soubessem como os alcançar. James E. West, o primeiro Chefe Escuta dos Estados Unidos, cargo que deteve por mais de 33 anos, definiu bem o problema quando lhe perguntaram quais as três coisas de que o Escutismo mais necessitava . Respondeu: "Formaão, formação, formação."
O primeiro curso de formação para Chefes Escuteiros realizou-se em Londres, no ano de 1910. Outros cursos foram realizados durante os quatro anos que antecederam a 1ª Guerra Mundial. Eram chamados "cursos experimentais", e tinham muitas palestras... mas poucas actividades práticas.
Lord Baden-Powell, o Fundador, procurou então encontrar um local adequado para a formação de dirigentes. Pretendia fazer como em Browsea, pois chegara à conclusão de os cursos serem mais eficientes quando realizados no campo, utilizando como base o Sistema de Patrulhas.
Nos finais de 1918, o Comissário Distrital de Rosenearth (Escócia), William de F. de Bois Maclaren, um amigo de Baden-Powell, propôs-se destinar uma área de terreno para que os escuteiros de menores recursos pudessem usar para acampar. B-P sugeriu-lhe que esse espaço também servisse para a formação de adultos.
Em 1919, adquiriu a área pretendida para o efeito, que ficava ao lado da floresta Epping, a norte de Londres. Ao local foi posto o nome de Gilwell Park, que foi inaugurado a 25 de julho de 1919. A relva perfeita, os centenários carvalhos , o pequeno museu e as relíquias escutistas tornavam este num local mágico, rico em simbolismo para o Escutismo Mundial.
A Insígnia de Madeira surgiu no Escutismo pela mão de Baden-Powell, quando do primeiro curso realizado em Gilwell Park, de 8 a 19 de setembro de 1919.
O símbolo da formação são duas pequenas contas de madeira, cópia de um velho colar oferecido a Baden-Powell por Dinizulu, rei Zulu, durante sua permanência na África austral, como um reconhecimento da superioridade guerreira e pela forma digna como tratou o rei e a seu povo.
O original do colar de contas encontra-se guardado na "Baden-Powell House" em Londres. É um colar com cerca de 7 metros, composto por mais de 2000 contas dem madeira, passadas pelo fogo. Na sua origem, a conta de madeira passada pelo fogo, representava o tição do primeiro fogo aceso pelos antepassados. As contas são esculpidas em madeira africana de cor amarela, com a medula macia, e deixou um pequeno entalhe natural em cada extremidade quando foi trabalhada. Estas contas também evocam o "fogo sagrado", que é o símbolo da fidelidade a um ideal.
Baden-Powell apoiou o primeiro curso em Gilwell Park, dirigido por Francis Gidney, dando a cada participante uma das contas do colar que pertencera ao chefe africano. A sua idéia era conceder algo que tivesse maior significado que um diploma ou um certificado. Os portadores da Insígnia de Madeira usam uma correia com as extremidades unidas por um nó de aselha e, em cada ponta, são fixadas as contas por um cote de uma volta. Quando a correia possuir duas contas, uma em cada ponta, significa que o seu portador é Escuteiro ou Dirigente que concluiu a Insígnia de Madeira . Três contas, uma numa ponta e duas na outra, significa que o seu portador é Formador Básico. Quatro contas, duas em cada ponta, refere-se ao Formador de Curso Avançado. Seis contas são privativas do Chefe de Gilwell Park.
O lenço de Gilwell foi criado por Baden-Powell a pedido dos primeiros formados com a IM. Inicialmente foi confeccionado em tecido "tartan", homenageando o clã familiar dos MacLaren, mas mostrou ser , no futuro, bastante oneroso e de difícil aquisição. Alterou-se então para o tecido do uniforme do Exército Colonial Inglês, aplicando-se na ponta triangular um retângulo do "tartan" MacLaren, mantendo-se assim a referência aos que adquiriram as terras de Gilwell. A anilha, que fixa e ajusta o lenço ao pescoço, é um entrançado de duas voltas numa tira de couro, com perfil redondo e cor preta, também conhecido como "cabeça de turco". O uso desta anilha significa que o seu portador possui o Curso Básico, pré-requisito para iniciar as três partes do último estágio oficial na formação de um Chefe Escuteiro. O alerta inicial, entretanto, não pode ser esquecido: formação e treino como um processo contínuo!

2 comentários:

F. Jorge Barros disse...

Olá,
tu tens aqui alguns erros acerca da insígnia de madeira, só existe um colar com seis contas (o original usado por B.P.com as contas tiradas do colar do chefe Dinizulu) que está na B.P. House em Londres, quanto ao colar original do Chefe Dinizulo já não existe visto que B.P. foi dando as contas aos primeiros chefes que foram fazendo o curso.
Mas voltando às contas, o colar com mais contas tem são 5 e é utilizado apenas por uma pessoa, que é o chefe de campo de Gilwell Park, que a usa por inerência do seu cargo.

Uma forte canhota
F. Jorge Barros

moacirstarosta disse...

Corrigindo alguns enganos.....
existe algumas réplicas do colar de dinizulu, duas em gilwellpark, uma eu confeccionei e está de minha posse no Brasil, esclarecendo, dinizulu possuia vários colares, alguns dava para algumas pessoas, B-P captou um destes colares como expólio de guerra e distribuiu suas contas aos primeiros alunos dos cursos de gilwell, outras deu para amigos, o colar com cinco contas existiu e era utilizado por Willian Hilcourt, o único com autorizção ´para utilizá-lo, outro colar com seis contas pertenceu a Percy Everett, amigo de B-P e grande incentivar do movimento em seu começo, ele deixou uma tradição, que este colar voce passado como símbolo do cargo de chefe de campo de gilwell, osume em uso atpe hoje, tive o prazer de ter este colar em minhas mõs, e com certeza este é um dos colares com as contras do colar original, historicamente, comprovado, mais histórias, aguardem o livro que estou inalizando e devo lançar aqui, no Brasil, em 2010, ele será bilingue, também em inglês.

moacir starosta