segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SERVIR...a missão do "Chefe"

* Não adianta imaginar que mandar é fácil, bastando um rosto hermético e uma voz imperiosa, para se ganhar a batalha. Para ser "Chefe", é necessário possuir-se aquele amor ao próximo e aquela cultura que nos permitem conhecer os homens e perscrutar os recônditos da sua alma, além de que é necessário pertencer-se igualmente àqueles previlegiados espiritualmente que tomaram para si próprios a divisa: SERVIR, mas de uma forma desinteressada, perseverante e corajosa, que lhe são impostas pelas convicções, entusiasmo ou carácter.
* Todos os indivíduos têm necessidade de fazer uma opção de vida, de escolher uma doutrina capaz de os orientar para o quotidiano da vida, acreditando que só deste modo poderão contribuír para que o seu País esteja a ser servido de forma conveniente, porque existirá um lema alutinador que orientará a sociedade. Quando da minha entrada para o Escutismo, escolho como divisa "QUEM NÃO VIVE PARA SERVIR, NÃO SERVE PARA VIVER!". Foi uma forma de me impôr "SERVIR" como modo de vida.
* Sabemos que toda a autoridade vem de Deus, mas é dada ao "Chefe" em benefício dos outros e não em benefício pessoal, pois a autoridade poderia definir-se como o direito de ordenar aquilo que está mais conforme os interesses gerais da sociedade onde nos inserimos.
* Um "Chefe" jamais cumprirá a sua missão senão na medida em que, ao bem pessoal, antepõe o bem comum e ao interesse particular prefere o interesse geral. O verdadeiro Dirigente Escutista não procura dominar por dominar nem se serve dos que lhe são confiados, mas antes os auxilia no SERVIR uma causa que os supera. Familiarizar-se com o Movimento em que está inserido, fazendo por cumprir as suas Leis e Regulamentos, constituirá o primeiro elemento da alma do "Chefe".
* No Escutismo, em especial, e no dia-a-dia em particular, mandar é servir: SERVIR a Deus, em nome de Quem se exerce o poder - porque toda a autoridade que, em última análise, não O tenha como fundamento é ilusória ou uma usurpação; SERVIR aqueles que se comandam, os quais, sem chefe, correriam o risco de serem um rebanho sem pastor; SERVIR a causa que nos supera e merece a adesão, a obediência e, se for preciso, o sacrifício próprio.
* Pensemos, pois, quão bela é a missão de SER CHEFE! Será até mais do que uma missão: é uma vocação, um chamamento, uma espécie de predestinação. Porque "toda a autoridade vem de Deus", os que exercem funções de chefia tornam-se como que em intermediários entre Deus e os seus subordinados. Os textos das Escrituras não admitem restrições nem reservas: - É-se chefe "em nome de Deus", e unicamente para fazer com que os outros homens se tornem mais semelhantes a Ele, ajudando-os a tornarem-se mais homens, a tomarem consciência da sua dignidade de criaturas divinas, a desenvolver os talentos que providencialmente lhes foram distribuídos (Mgr. Pinson, Bispo de Saint-Flour).
* Tendo por objectivo "SERVIR", o chefe dá, à sua maneira, exemplo de obediência, e, além disso, faz surgir nitidamente diante de todos que tem autoridade para exigir dos outros a procura desinteressada do bem comum.
* O chefe não decide arbitrariamente; constitui norma para si procurar a ressonância no mais profundo daqueles que conduz. O chefe não só orienta, mas também ajuda ; que aqueles que sentem em si uma vontade rejubilem: o chefe não é chefe senão para os ajudar a querer.
* No chefe, o indivíduo deve apagar-se de qualquer maneira e desaparecer na função. Este apagamento, viril e corajoso, confere-lhe um prestígio e uma força que nenhuma outra reserva dá. Tornando-se, mas de modo intenso e visível, pessoa pública, eleva-se, pelo próprio serviço, acima de individualismos estreitos. A sua voz possui um timbre diferente da dos outros: torna-se a voz da consciência moral em busca do bem superior da colectividade. A autoridade está ligada, sobretudo, à existência e à consciência duma missão superior, de que o chefe tomou o encargo não em proveito próprio, mas para bem daqueles que dirige e dos quais tem a responsabilidade.
* O chefe não manda "por prazer", sem interesse, como um senhor que domina escravos e colhe benefícios do trabalho dos outros. Não é esse o papel do bom Dirigente, que foi escolhido para conduzir uma comunidade, através de uma engenhosa hierarquização de meios, devido ao seu alto valor moral. A sua missão deve dominá-lo, como uma vocação. Ele pertence à missão que lhe é cometida. Dá-se à comunidade - para que ela se torne naquilo que pode e deve ser. O Dirigente no Escutismo, como um verdadeiro CHEFE, SERVE! E se está verdadeiramente compenetrado no pensamento da missão que lhe está cometida, completamente tomado por essa vocação e votado ao serviço dela, então e só então é um CHEFE (Dunoyer de Segonzac).
* O chefe não é principalmente o que anima, persuade, arrasta, convence, mas aquele que manda em nome da autoridade de que está legitimamente investido, e é para ele a mais nobre maneira de servir. A sua missão é um autêntico serviço social. Mandar é servir. O chefe está ao serviço da comunidade, mas não quer isto dizer que deva estar às suas ordens: estas não são muitas vezes senão a expressão de seus caprichos ou fantasias, quando não são o fruto de sugestões estranhas, mais ou menos interessadas. Com razão, deve dizer-se do chefe que ele deve ser o intérprete do bem comum; não significa isto, porém, que deva ser o intérprete da vontade geral. Esta, dadas as variações de sensibilidade próprias da psicologia das multidões, não é muitas vezes outra coisa senão a inconstante opinião pública, em frequente contradição com o verdadeiro bem superior do conjunto.
* O chefe não é um simples delegado da comunidade, mas o seu guia em prossecução dos seus mais altos fins. Mesmo eleito e designado pelos seus pares, a autoridade de que é o depositário confere-lhe o direito de mandar sem que tenha de usar sempre, para se fazer obedecer, de persuasão e de argumentos pessoais. Um chefe deve possuir, antes de tudo, o sentimento da sua responsabilidade. Ter o sentimento da responsabilidade não significa que espere ser punido, se não cumpre o seu dever - um verdadeiro chefe não pensa nas sanções em que poderia incorrer a respeito doutros chefes, colocados acima de si na hierarquia. Mas, quanto aos que estão a seu cargo, não deseja que sofram inutilmente, que sejam injustamente punidos, ou privados do pouco conforto que podem ter. Não deseja que façam três quilómetros a mais, porque as ordens foram mal dadas. Não quer, que, após longa caminhada, vagueiem pelas aldeias onde chegaram, sem saber em que lugar devem acampar, sem possuir um pouco de palha para descansar, sem ter, se é possível, uma sopa quente que os reconforte. Pensa em tudo, por tudo vela; não come nem se deita sem que tudo esteja em ordem. Uma coisa há em que não pensa: na sua própria fadiga. Não sendo escravo de seus superiores, é-o, no entanto, do dever de protecção que deve aos seus. Este sentido da necessidade dos outros torna-o muitas vezes capaz de trabalhos que parecem acima das suas forças.
SER CHEFE É UMA RESPONSABILIDADE QUE DEUS NOS DÁ, PORQUE ASSIM SERVIMOS A DEUS ATRAVÉS DOS IRMÃOS! MAS TAMBÉM É UMA DÁDIVA!

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