segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

São Nuno de Santa Maria


D. Nuno Álvares Pereira (O. Carm.), também conhecido como o Santo Condestável, Beato Nuno de Santa Maria, ou simplesmente Nun'Álvares,nasceu em Cernache do Bonjardim em 24 de Junho de 1360 e faleceu no Convento do Carmo no dia 01 de Novembro de 1431. Foi um general português do Século XIV que desempenhou um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal jogou a sua independência contra Castela. D. Nuno Álvares Pereira foi também 2.º conde de Arraiolos, 7º. conde de Barcelos e 3º. conde de Ourém.
Beato Nuno de Santa Maria é sinónimo de humanidade, fraternidade, verdade, humildade e dignidade. O seu exemplo representa a vitória do Bem sobre o Mal. É referência universal que terá levado o Papa Bento XV a declarar que servia de modelo aos militares que combatiam na I guerra mundial.
D. Duarte, sete anos após a morte de D. Nuno, em 1431, solicitou ao Papa a canonização do Condestável evocando o exemplo de bondade e devoção aos pobres. A fama de milagreiro do Santo Condestável era grande conforme as “Chronicas dos Carmelitas” que referem terem-lhe sido atribuídas 21 curas de cegueira, 21 de surdez, 24 de paralisia e 18 de doenças internas.
Uma cura actual, alegadamente milagrosa, de uma vista queimada com azeite a ferver, parece ter sido a peça que faltava para a conclusão da canonização do Beato Nuno de Santa Maria. É mais que possível que, no dia 26 de Abril, a Igreja Universal tenha mais um Santo: São Nuno de Santa Maria, que desde há muito é conhecido e venerado em Portugal, e é também invocado além fronteiras, como em breve apontamento, se poderá referir:
- No reinado de Isabel “a católica” teve início em Espanha o culto a São Frei Nuno de Santa Maria, sendo frequente a sua invocação nas missas celebradas na corte.
- No reinado de Joana “a louca”, em 1512, primeira rainha da Espanha unificada, a devoção a Beato Nuno tornou-se mais forte. Esta rainha veio a Lisboa, em peregrinação ao convento do Carmo, para trasladar os restos mortais de D. Nuno para um mausoléu de alabastro que tinha mandado esculpir em Florença.
- No séc. XX São Escrivã de Balaguer afirmou em sermão “abençoado seja D. Nuno de Santa Maria e a batalha de Aljubarrota que deu à Virgem dois braços, Portugal e Espanha, com os quais abraçou e evangelizou o mundo”.
- Em Portugal e Espanha o Beato Nuno foi imortalizado em arte sucedendo o mesmo em Itália, Holanda e Alemanha, em quadros, registos e santinhos que são prova documental da dimensão europeia da devoção a D. Nuno.
- O culto ao Beato Nuno surgiu na Itália em meados do séc. XV conforme o Calendário Carmelitano, composto entre 1456 e 1478, da biblioteca de Parma. As igrejas de Santa Inês e de Nossa Senhora do Carmo também apresentam provas do culto ao mesmo beato em Itália, como testemunha o óleo “La vestizione del Beato Nónio Álvares Pereira, notabile de Portogallo” do mestre Cresti Dominico IL Passignamo.
O túmulo de Nuno Álvares Pereira foi destruído no Terramoto de 1755. O seu epitáfio era: "Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."
A Igreja Universal e Portugal vão ter um novo Santo, que estará sempre atento às invocações que lhe sejam dirigidas através da oração, tal como sempre esteve atento às necessidades mais prementes do Povo Português.
São Nuno de Santa Maria, rogai por nós!

Sem comentários: