segunda-feira, 20 de julho de 2009

DOIS MÉTODOS DE FORMAÇÃO

Quando recordo o Método Escutista criado por Baden-Powell, sei que estou a lembrar apenas e tão só aquele que é, reconhecidamente, o melhor movimento educacional para a educação integral da juventude.
Não teria nenhum interesse estar a recordar tal facto se não estivesse em causa o factor EDUCAÇÃO DA JUVENTUDE, pois são conhecidos vários métodos destinados aos jovens, mas nenhum conseguiu ter o impacto conseguido com o uso do "Escutismo para Rapazes", do "Manual do Lobito", do "Sistema de Patrulhas" ou do "Caminho do Triunfo".
No entanto sou levado a reconhecer "A Pedagogia Waldorf" como o maior movimento educacional independente no mundo. Foi este sistema proposto pelo filósofo social austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), após ter sido convidado por uma indústria alemã, a Waldorf-Astoria, a fundar uma escola para os filhos dos operários da fábrica, na cidade de Stuttgart.
Dessa forma nasceu em 1919, com essa primeira escola e quando ainda se vivenciava o fim da primeira guerra mundial, um novo conceito de educação, baseado no conhecimento profundo do desenvolvimento humano.
A tarefa proposta pela escola foi sendo assumida por centenas, milhares de pessoas que hoje trabalham nas escolas espalhadas pelo mundo inteiro. As escolas Waldorf formam, hoje, a rede independente que mais cresce no mundo. Reconhecida pela UNESCO, cada uma dessas escolas faz parte da cultura local do país, região ou cidade onde está inserida, mas todas têm um currículo comum, com propostas metodológicas que estimulam o entusiasmo pela aprendizagem e o desenvolvimento saudável da criança, que desafiam as faculdades críticas e de julgamento que não raro se manifestam mais fortemente a partir dos 12 anos.
A tarefa da educação Waldorf está no respeito à individualidade da criança, despertá-la, desenvolvê-la e incentivar o seu desabrochar. O professor, ao identificar os talentos e capacidades de cada criança, exercita o interesse perante as diferenças de cada um.
Espelhadas no atuar do adulto, as crianças preparam-se para uma sociedade multicultural, sem distinções sociais, religiosas ou nacionais.
Em pesquisas efectuadas na Grã-Bretanha aponta-se para o ambiente das escolas Waldorf como sendo aquele que apresenta a mais baixa incidência de alergias nas crianças, bem como o mais baixo índice de faltas escolares por doenças. Podem-se interpretar esses dados tanto pelo largo uso de medicina homeopática e/ou antroposófica entre as crianças, como pela alimentação rica em verduras e cereais integrais (que são estimulados na vida escolar) e pelas propostas de ensino.
Rudolf Steiner referia a pedagogia Waldorf como o alimento necessário para o bom desenvolvimento do querer (vontade), sentir e pensar da criança. A escola deve propiciar as vivências diárias que vão permitir à criança utilizar as forças do querer, do sentir e do pensar; não deixando nenhuma dessas represadas sem fluir no organismo.
Olhando aquilo que diz Steiner e revendo o que BP nos ensina, sou levado a concordar com um facto que se encontra por demais implícito nas duas metodologias de ensino: Ambas são viradas para a educação total do jovem... ambas são conducentes a uma necessidade de se dar à criança o sentido das coisas através do querer, do sentir e do pensar.
Logo, a pedagogia Waldorf nem sequer poderá ser considerada como uma forma de se dar outra dimensão ao Escutismo, porque poderá ser um método que surgiu para complementar outro, mas nunca será um substituto, apesar de todo o valor da pedagogia aludida.
O Escutismo visa a educação integral do jovem e a pedagogia Waldorf visa ser uma forma complementar na aplicação do método Escutista, porque este ainda não encontrou um substituto à altura.

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