quarta-feira, 31 de outubro de 2007

ESCUTISMO e ESCOTISMO - I

KKKK * Para aqueles que vivem estas coisas do "ESCUTISMO" - segundo alguns - ou do "ESCOTISMO" - no entender de outros - certamente estarão "fartos" de tentar defender a "sua dama" com todo o poder de argumentação e presuação de que se mostre capaz o conhecimento que tenha da etimologia da palavra, porque não se torna tarefa fácil conseguir-se dizer com rigor ser cada um dos argumentistas senhor de uma verdade que não tem contestação possível, tal a lógica da argumentação... ou aumentamos a nossas dúvidas e não saímos deste círculo vicioso: ESCUTISMO ou ESCOTISMO? Em que ficamos?
KKKK Segundo os "puristas" destas coisas da palavra escrita, "ESCOTISMO" é o conjunto de opiniões doutrinárias defendidas e definidas pelo filósofo e teólogo franciscano João Duns Escoto, escocês por nascimento, pois nasceu em Maxton ou Duns, na Escócia, em 1266 e faleceu em Colónia, na Alemanha, em 1308. Ensinou em Oxford e em Cambridge, em Paris e em Colónia. Defendeu, em filosofia, o realismo do conhecimento que parte do mundo sensível até atingir Deus, divergindo tanto de Averróis como de São Tomás, aproveitando-se, apesar de tudo, do contributo de Aristóteles e servindo-se da ontologia de Avicena para reforçar as suas teorias agostinianas. Deriva de Avicena o conceito de uma essência indiferente ao universal e ao particular. Foi beatificado em 07 de Maio de 1993. Os seus "discipulos" e fiéis seguidores das suas doutrinas, passaram a ser chamados de "Escotistas" ou "Escotinianos", ficando a sua doutrina conhecida por "ESCOTISMO".
KKKK Outros ainda afirmam ser o ESCOTISMO uma corrente filosófica defendida pelo teólogo irlandês João Erúgena Escoto, em que este separa a filosofia da teologia, principalmente através da reflexão sobre as relações entre Deus e a natureza. A este filósofo se deve o tratado "DE DIVISIONE NATURE".
KKKK Há ainda outro Escoto, de seu nome Tomás Escoto, também ele filósofo e teólogo do século XIV, denunciado como um perigoso herético pelo seu contemporâneo Álvaro Pais, na obra "Colírio da Fé" contra os infiéis" (1341-44). Pouco se sabe da vida e obra deste pensador, que seria, como Duns Escoto, de origem escocesa, havendo até quem avance a hipótese de se tratar do mesmo filósofo, apesar da diferença no nome. As suas heresias são minuciosamente descritas na citada obra de Álvaro Pais, que se encontram traduzidas para português. Terá sido professor na Universidade de Lisboa e supõe-se que terá sofrido a condenação à morte. Tal como o seu acusador, deveria ser um homem ousado e violento, tanto na linguagem como nas opiniões que defendia. O seu "averroísmo" (aristotelismo heterodoxo) foi condenado em Paris desde 1270 a 1277. Segundo o "Colírio", afirmava a eternidade do mundo: NÃO HOUVE PRINCÍPIO NEM HÁ-DE HAVER FIM. Quanto à fé, esta só podia ser defendida pela filosofia, condenando os livros sagrados. Terá mesmo afirmado que Aristóteles era superior a Cristo e mais sábio do que Moisés. Após a sua morte, era o nada que acolhia os homens, ou seja, as almas não existiam. Perante os dados conhecidos, quem será quem? João Duns Escoto não terá sido também Tomás Escoto? Não repugna nada aceitar a ideia de os dois serem um.
KKKK Na definição enciclopédica, ESCOTEIRO é aquele que viaja sem bagagem, pagando as despesas por "ESCOTE", que significa contribuir para uma despesa comum ou quota parte: PAGAR O SEU ESCOTE!
KKKK Escoteiro é também aquele que pratica o "Escotismo" na Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP), que, fundada em 06 de Setembro de 1913, é a mais antiga Instituição "Escotista" Portuguesa e que tem sido, ao longo dos longos anos da sua existência, motivo de "estudo" do significado do termo "ESCOTEIRO", dado aos seus elementos, especialmente quando em confronto com o termo "ESCUTA" ou "ESCUTEIRO", usado pelo Corpo Nacional de Escutas (CNE).
KKKK Quando se comemoram os 100 anos do ESCUTISMO, é de bom tom colocar-se à apreciação das pessoas de boa vontade o tema ESCUTISMO versus ESCOTISMO, para que se faça a justiça de homenagear aqueles que, neste centenário, deram o melhor de si na implementação do método deixado pelo Fundador - Lord Robert Smith Stevenson Baden-Powell of Gilwell.
KKKK ESCUTA é aquele que escuta, que está atento, que está ALERTA... ESCOTEIRO é aquele que viaja sem bagagem... o Escuteiro tem necessidade do que a natureza lhe oferece... o Escuta e o Escoteiro vivem segundo o espírito de Baden-Powell.
KKKK Iremos continuar a falar de ESCUTEIROS e ESCOTEIROS, mas apenas porque queremos falar dos 100 anos do Escutismo no mundo, visando o segundo centenário, que está no horizonte daqueles que acreditam que O ESCUTISMO NÃO SE DISCUTE! VIVE-SE!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

É TÂO LINDO TER 100 ANOS...

...e ter pela frente algo parecido com a vida pujante que um Movimento como o Escutismo demonstrou ter, apesar das barreiras encontradas no primeiro Século de existência, que agora se comemorou- e continuará a comemorar - com a realização de um Acampamento que marcará as próximas gerações de jovens seguidores do Espírito do Fundador.
* Parece que as trombetas da consciência tocaram, estridentes, um pouco por todo o mundo, dando ao Escutismo uma evidência que não lhe era outorgada desde há muitos anos, especialmente pelos Governos das Nações, que teimam em não aceitar como verdade inatacável o facto de que Robert Baden-Powell terá sido o signatário do mais importante elo de união, da construção do mais extraordinário caminho para a paz que a humanidade alguma vez conheceu. Dirá o céptico que ainda está por provar esta asserção, pelo que será importante dizer a estes que o Escutismo é não apenas uma escola de virtudes, mas um caminho de liberdade, uma expressão de dinâmica vivaz capaz de ser pedra angular na construção de um mundo novo, em que o Homem é capaz de partilhar espaços de vida de uma forma total, doando ao seu Irmão em Ideal aquela fraternidade que lhe foi incutida enquanto membro de um Movimento que lhe proporcionou uma diferente prespectiva fraterna de vêr os outros.
* Em Portugal, porque somos filhos diletos desta Pátria de Heróis, de Santos e de Sábios, o Escutismo parece ter adquirido um novo fôlego após o 25 de Abril, mas não é tão verdadeira esta permissa como poderia parecer. A Associação dos Escoteiros de Portugal, fundada a 13 de Seembro de 1913 - será centenária dentro de meia dúzia de anos - passou momente fulgor e outros de angústia, pois a Mocidade Portuguesa, fundada em Maio de 1936, veio a "exigir" para si a exclusiva competência para liderar os Movimentos de Juventude, não compreendendo que o seu estatuto de obrigatoriedade lhe retirava interesse entre os jovens, que sempre se orgulharam do seu desejo de liberdade de opção em tudo o que faziam. Por força do protecionismo de Estado de que a Mocidade Portuguesa possuía, a AEP, inicialmente, e o Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português, fundado a 27 de Maio de 1923 pelo então Arcebispo de Braga, D. Manuel Vieira de Matos e pelo Monsenhor Dr. Avelino Gonçalves, tiveram de lutar abnegadamente para poderem subsistir... até pela extinção ordenada dos Grupos de Escoteiros do Ultramar, cujo espólio foi entregue à Mocidade, tal como se pretendia fazer com os Grupos do Continente, pois chegou a estar em discussão a sua extinção.
* Por tudo isto, fazer 100 anos é lindo, assistir à festa que o mesmo prenuncia é ainda mais bonito... e o Escutismo Mundial tem pernas para caminhar ao encontro do seu 2º. centenário, que será aquilo que os Homens dele pretenderem fazer... esperando sempre que seja um ponto de união das pessoas de todas as latitudes, irmanadas num único ideal: SERVIR DEUS, Pai supremo de todas as criaturas; a IGREJA, Mãe e Mestra daqueles que a procuram para nela se darem as mãos para rogar ao Senhor que seja instrumento de Paz entre todos os Homens de boa vontade; e a PÁTRIA, que somos todos nós e será terra da esperança, do amor e da boa vontade no contexto das Nações.
* Fazer 100 anos... é uma benção vinda dos céus, partilhada por Cristãos, Católicos ou Protestantes, Muçulmanos, Indus, Budistas, Judeus e todas as confissões da Terra! Baden-Powell foi um instrumento de Deus para unir as Nações através de um Ideal de Serviço a que chamou ESCUTISMO!

sábado, 13 de outubro de 2007

ESCUTISMO DO AR... elitista?






H - O Pe. Manuel Gonçalves Pedro, de saudosa memória, recebeu a ideia do Escutismo do Ar de mãos abertas, e comentou: - "Se há na Força Aérea tantos rapazes, entre os Oficiais, Sargentos e Praças que a servem, Caminheiros e Dirigentes Escutistas de grande qualidade, porque tarda tanto em se dar o passo de gigante que é a criação do Escutismo do Ar?".
k - Um passo já havia sido dado há uns anos bastante largos, quando a Associação dos Escoteiros de Portugal lançou um magnífico "Manual do Escoteiro do Ar", do Chefe Fernand'Almiro. Pena é que não tenha tido o acolhimento esperado, porque não havia então a possibilidade de solicitar qualquer cooperação da Força Aérea, que ainda procurava afirmar-se como Arma no contexto das Forças Armadas, pois as "asas" para voar estavam ainda a ser reforçadas para haver um voo em segurança.
mmm - Certo dia, após falar ao Chefe Victor Touricas, do Agrupamento 552 do Entroncamento, na experiência que estava a fazer no Agrupamento que eu então chefiava, de vir a criar uma Sub-Unidade especializada em questões aeronáuticas, estando a alinhavar um regulamento, ele deu-me um trabalho seu sobre aviões e aviação, que poderiam ser uma base de trabalho importante para a consecução do projecto que tinha em mente. Li, reli, tomei apontamentos... e apresentei ao Pe. Gonçalves Pedro o projecto de um Manuel do Escuteiro do Ar, visando a sua aprovação... mas ele foi mais longe: Levou o trabalho ao então Chefe do Estado Maior da Força Aérea, General Mendes Dias, que deu carta branca para que fosse feita uma edição na Central de Publicações da Força Aérea e a mesma fosse distribuída gratuitamente a todos os participantes no Acampamento do Ar (ACAR), realizado em Leiria, na Mata dos Marrazes... mas não havendo tempo para tal acontecer, só veio a ser cumprido este desiderato no ACAR de Setúbal.
G - Nesse Acampamento pude constatar estar a Força Aérea de alma e coração com a ideia, pois quando o Pe. Gonçalves Pedro disse ao Sr. General que a Sacristia da Igreja da Força Aérea estava a servir como local para a instalação da sede da futura Base de Actividades dos Escuteiros do Ar - a B.A.E.A. - logo colocou à disposição uma das moradias que a FAP detinha em Monsanto e bem assim anunciou que iria ser estudada a cedência de um a dois aviões "Chipmunk", que estavam a ser abatidos ao efectivo, viaturas, material de campo, voos de qualificação para os Escuteiros poderem fazer as suas provas de classe, cursos de saltos em páraquedas, etc. Não se calcula a euforia vivida pelos rapas e raparigas presentes do ACAR de Setúbal, quando estas novidades lhes foram transmitidas. Apenas havia que ser oficializada a vertente "Escuteiros do Ar" no Corpo Nacional de Escutas, e isso foi transmitido pelo Pe. Gonçalves Pedro ao Chefe Nacional, através da Junta Reional de Lisboa, visando estudar-se a documentação e apoios existentes, para proposta ao Conselho Nacional de Representantes...
f - ...mas os homens põem e Deus dispõe! O Chefe Nacional do Corpo Nacional de Escutas, Vitor Faria, foi peremptório e definitivo: - "Não vai haver Escutis do Ar nenhum porque não queremos criar élites dentro do CNE! Nem todos podem ser ' Escuteiros do Ar', porque não há pistas e aviões à disposição de todos os que os queiram utilizar e isso é contra o espírito do Fundador, pois ele preconizou o escutismo para todos!". Deu-me vontade de rir esta posição, pois era absoluta entítese daquilo que se pretendia. Ainda tive o apoio do Chefe Regional de Coimbra, actual Chefe Nacional do CNE, Luis Alberto Lindington da Silva... mas ele era só, de pouco servia num Conselho Nacional manipulável pela Chefia Nacional. Tentei fazer vêr que elite era haver um Escutismo com farda própria, a exigir conhecimentos de mar e embarcações... que só eram possíveis perto de cursos de água, em cursos de rio navegáveis ou de mar. O Escuteiro do Ar apenas tinha uma insígnia de capacidade referente à causa do ar, que podia ser de Piloto, Balonista, Paraquedista, Meteorologista... etc. Em actividades próprias do ar, por exemplo nos ACAR, usariam os jovens Escutas, especialistas do Ar, um lenço especial, com a insígnia dos Escuteiros do Ar colocada no bico do mesmo.
D - Estou convencido que terá o Escutismo Católico Português perdido uma oportunidade de ouro para ter as vertentes Escutistas de terra, mar e ar, pois tarde será o tempo em que os apoios voltem a ser concedidos do mesmo modo, pelas grandes transformações que se têm verificado na Força Aérea e no País. E foi pena, pois a causa do ar sempre fascinou os jovens de todos os tempos... e não se vê que venha a perder esse fascinío, a não ser com procedimentos que lhes vão fazendo fenecer a vontade.
h - Voltaremos a este assunto, assim o espero.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

100 ANOS PELO MUNDO...


Quando Baden-Powell, num rasgo de génio, criou o Escutismo, jamais terá pensado na repercussão que o seu sistema educacional viria a ter em todo o Mundo. Países pobres ou ricos, conservadores ou democratas, repúblicas ou monarquias, católicos ou de qualquer outra confissão religiosa, saudam da mesma maneira, com o dedo polegar sobreposto ao mindinho, os outros erguidos, direitos, formando uma Flôr de Lis estilizada, símbolo universal do Escutismo. BE PREPARED, SEMPRE ALERTA, SEMPRE PRONTO, SIEMPRE LISTO... enfim cada País com a sua divisa mas todas visando um mesmo fim: Estar sempre disponível para SERVIR, pois o espírito Escutista é esse, precisamente.Milhões de pessoas, na maior parte dos Países e das culturas existentes no mundo aderiram à Promessa e à Lei do Escuteiro. Este ano de 2007 não é apenas um olhar sobre um passado, mas é, sobretudo, a entrada num novo século do Escutismo. no 100º. aniversário da Movimento Escutista devemos estar atentos ao seu desenvolvimento em prol do Jovem e da sua formação total. Será através desse desenvolvimento que iremos preparar o futuro da nossa Juventude, em prol da Família, base de toda a sociedade, e da Igreja que nor orgulhamos de professar. Contacte-se a juventude presente num Jamboree e fácilmente se conclui: O ESCUTISMO É UM POLO DE UNIÃO ENTRE AS JUVENTUDES DE TODO O MUNDO... E CONTINUARÁ A SER AQUILO QUE CADA UM DE NÓS, COMO ADULTOS, SOUBERMOS DAR. COMO RESPOSTA, AOS JOVENS, QUE EM NÓS CONFIAM! É PRECISO ESTAR PREPARADOS... SEMPRE ALERTA... PARA SERVIR!

domingo, 16 de setembro de 2007

O CENTENÁRIO...







BROWNSEA 1907...
BROWNSEA 2007...
100 ANOS A FORMAR JOVENS PARA
O MUNDO DE HOJE!
UM CENTENÁRIO DE GLÓRIA PARA O ESCUTISMO--
*** Certamente muita gente se perguntará porque razão os métodos educacionais preconizados por alguns pedagogos de enorme nomeada, como o são Rabelais, Erasmo ou Rousseau, tendo algumas componentes similares àquelas que Baden-Powell utilizou no Escutismo, uma vez que também eles preconizavam a educação pelo jogo, pela vida ao ar livre, pela observação da natureza. A esta interrogação apenas se pode dar uma resposta: - BP era detentor de uma brilhante personalidade, emergente de uma vida bastante preenchida, desde os tempos em que viveu aventuras extraordinárias com os irmãos, estudou a pessoa humana nos personagens que representou quando estudava na Cartucha, evoluiu nos conhecimentos que veio a adquirir quando serviu o seu País na Índia e em África. Tudo isto foi complementado com uma vida rude e livre, em que se forjou o seu carácter de forma tão determinante que o levou a adoptar esta vida à juventude, que andava em busca de novos horizontes que dessem um sentido à sua avidez de crescimento para a vida de um mundo em convulsão. Baden-Powell descobriu que os jovens necessitavam de sentir o apelo da fraternidade, precisavam de aventuras, novas descobertas capazes de os levar a sentirem-se pessoas completas, confiáveis.
Foi na recordação das suas próprias experiências pelas matas da Cartucha, daquilo que os rapazes de Mafeking lhe transmirtiram quando do cerco, que Baden-Powell criou uma base de trabalho para a expertiência de Brownsea.
Cem anos depois... aí está a prova de que valeu a pena tamanha dedicação aos jovens! Baden-Powell tomou a sério os jovens, olhou-os com amor e conduziu-os pelos caminhos do bem, até pela Boa Acção de cada dia que lhes inculcou no espírito: "O ESCUTA É ÚTIL E PRATICA DIÁRIAMENTE UMA BOA ACÇÃO".
Logo após Brownsea, BP foi de férias pela América Latina, no ano de 1908, e colaborou , no Chile, na criação da primeira Associação de Escutismo no estrangeiro. Na América do Norte, graças à prática da Boa Acção a que a Lei do Escuta nos compromete, criou-se também o Escutismo. Um americano rico, que se havia deslocado a Londres, transportava alguma bagagem bastante pesada, a caminho do hotel. Um rapaz, que teria os seus 15 anos, ofereceu-se para transportar a bagagem ao americano. Feito o trabalho, o cidadão rico pretendeu gratificar o rapaz, mas este, fazendo a saudação com os três dedos, recusou, gentilmente, a gratificação, dizendo-lhe: "Sou Escuta e pratiquei a minha Boa Acção, ajudando-o!"
O americano, impressionado, foi informar-se sobre o que era o Escutismo. No Quartel General dos Escutas de Londres comprou o "Escutismo para Rapazes" e, assim que voltou aos Estados Unidos, tratou de lançar as bases dos Boys Scout na América.
A grande aventura do Escutismo, iniciada em Brownsea no já longínquo 1907, consubstânciou-se agora com o Grande Acampamento do Centenário! Nos céus, sorrindo feliz pela obra realizada, Robert Baden-Powell of Gilwell murmura muito baixinho: "...valeu a pena! Os jovens compreenderam aquilo que lhes quiz transmitir naqueles dias de Acampamento acontecidos no Verão de 1907! Que o Chefe Divino os proteja sempre... e que eles estejam SEMPRE ALERTA... PARA SERVIR!"

O FOGO DE CAMPO...

* Nos meus tempos de Escuteiro, confesso que estava sempre ansioso por poder participar nos Acampamentos em que a minha Alcateia... Patrulha... Equipa... ou como Dirigente, ia participando um pouco por todo o lado, fosse em actividades de Grupo, Agrupamento, Regionais, Nacionais ou Internacionais. E uma das actividades em que sentia maior alegria em participar era no Fogo de Campo ou de Conselho. Era sempre um momento de desafio, de alegria, de reflexão, de partilha, de amizade sincera que se exteriorizava nas canções, nos ditos, nos aplausos, nas encenações... e enchia-me a alma vêr o crepitar do fogo, as faúlhas a subir rumo ao infinito... convidando à oração, mesmo que silenciosa.
Acreditem que nada há de mais belo do que a chama a iluminar a noite, aquecendo-nos de uma forma total, pois também os corações se revigoravam com aquela luz que nos era guia!
De tal forma ficávamos envolvidos que nos sentíamos mais vivos quando ela ardia de forma mais vivaz... mas quando ela começava a perder a sua força, a energia da sua chama, também sentíamos que a nossa força, se estava a perder na noite imensa. O nosso fogo parece que está a apagar-se... e sentimos que se quebra alguma magia da noite .
Dizia-se nos dias de campo da minha Juventude que: "É NO FIM DO DIA QUE A VIDA TEM MAIS MAGIA!", e eu concordo que nada se pode comparar a um dia em plenitude, em que o zénite se atinge com o Fogo de Conselho. O fogo reflectia todo um mundo de sonhos, em que tudo era perfeito, havia cumplicidades com o nosso parceiro do lado, que tinha o rosto iluminado pela mesma chama que o meu... sentindo que aquela luz me revelava um Irmão em Ideal, que comunga das mesmas aventuras e pensa exactamente o mesmo que nós pensamos, naquele preciso momento!
Quando nos reunimos com os nossos Amigos Irmãos mais novos ou mais velhos, todos estamos a partilhar os sentimentos que nos dá essa força sobrenatural, que é o fogo, e todos nos deixaremos levar com ele... no início é a entrada em que começamos a senti-la e a vivê-la... a meio é o expoente máximo dos nossos sentimentos e da própria vida... por fim a Paz se deixa transparecer, e de todos os sentimentos até agora sentidos, um deles prevalece... o cansaço.
É este que por vezes não nos deixa captar a mensagem que a fogueira nos procura transmitir! E que bom seria que essa mensagem vhegasse mesmo até cada um de nós!
Talvez os membros do Governo Português, os que deveriam coordenar o Território, a Agricultura ou a Juventude, fossem um pouco mais abertos ao Espiríto do serviço do próximo se tivessem permitido que, na comemoração do Centenário do Escutismo no Mundo, acontecida no Acampamento Nacional realizado em Idanha-a-Nova, pudesse ter sido realizado o tradicional Fogo de Conselho, não só pela efeméride mas também pelo significado e estímulo para os participantes mais jovens nesta actividade, porque um Campo sem Fogo... talvez seja parecido com um jardim sem flores!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

BROWNSEA - 100 Anos de Escutismo (Continuação)


Já vimos como era programado o dia-a-dia dos jovens pioneiros do Escutismo no 1º. Acampamento experimental de Brownsea. Paralelamente iam-se formando os Guias de Patrulha, figura nuclear do método criado por Lord Baden-Powell. Podemos dar uma vista de olhos a uma Carta aos Guias de Patrulha, que é demonstrativa da importância que BP dava ao cargo:
" Quero que vocês, Guias de Patrulha, entrem em acção e instruam as vossas Patrulhas inteiramente sózinhos e à vossa maneira, porque, para vocês, é perfeitamente possível pegar em cada um dos rapazes da Patrulha e fazer dele um bom companheiro, um verdadeiro Homem. De nada valerá ter um ou dois rapazes admirávelmente preparados, se o resto não prestar para nada. Vocês devem procurar fazê-los todos positivamente bons. Para o conseguir, a coisa mais importante é o vosso próprio exemplo, porque aquilo que vocês fizerem, acreditem que os vossos Escuteiros também o farão!
Têm mostrado a todos eles que vocês sabem obedecer às ordens dadas, sejam elas ordens verbais, ou sejam regras que estejam escritas ou impressas; e que vocês cumprem ordens, esteja ou não presente o Chefe Escuteiro. Mostrem que conseguem conquistar distintivos de Especialidades e, com um pouco de presuação, pois os vossos rapazes seguirão o vosso exemplo.
Mas lembrem-se sempre que vocês devem guiá-los, e não empurrá-los.
Baden-Powell of Gilwell".
A identificação das Patrulhas fazia-se pela ostentação de umas fitas que cada elemento trazia colocada no ombro esquerdo, com uma cor para cada animal. Por exemplo, os Corvos usavam a fita roxa, os Lobos a azul, os Touros a verde e os Maçaricos Amarela.
Os Guias distinguiam-se por serem portadores de uma vara curta, onde se via presa uma bandeira triangular de cor branca, onde Baden-Powell pintou de côr verde o animal tótem da Patrulha, bem como as letras BA, correspondente à primeira e última letra da palavra "BROWNSEA".
Mas o Guia de Patrulha tinha outro distintivo: Uma flôr de lis recortada em feltro branco, presa na parte dianteira do seu chapéu através de um alfinete.
Quando falamos do Acampamento de Brownsea, fala-se muito de Baden-Powell, como é lógico, mas muito pouco dos outros participantes. Quantos eram, afinal? Não estão muito claros os números, havendo divergência de opiniões entre os "historiadores" escutistas, ainda que pareça haver uma quase unânimidade de que seriam entre 20 e 30 os elementos distribuídos pelas quatro Patrulhas. Fala-se que BP levou como assistente o sobrinho Donald Baden-Powell, que tinha apenas 9 anos, razão porque foi apenas "ordenança" do tio.
"STAFF" DE CAMPO - KRAAL:
* Robert BADEN-POWELL, 50 anos - Chefe do Acampamento;
* George GREEN, 48 anos - Assistente - Capitão das "Brigadas de Rapazes";
* Kenneth MAC LAREN, 47 anos - Assistente;
* Henry ROBSON, 51 anos - Assistente - Capitão das "Brigadas de Rapazes";
* Donald BADEN-POWELL, 9 anos - Ordenança de BP
PATRULHA CORVO:
- Guia Herbert BARNES, 15 anos, interno da Cartucha;
- Herbert COLINGBOURNE, 15 anos, Escuta de Bornemouth;
- Humphrey NOBLE, 15 anos, interno de Eton;
- William RODNEY, 10 anos, interno - + 1915;
- James TARRANT, 16 anos, Escuta de Bornemouth, + 1911;
PATRULHA MAÇARICO REAL:
- Guia George RODNEY, 15 anos, interno de Eton;
- Terry BONDIELD, 13 anos, Escuta de Bornemouth;
- Richard GRANT, Escuta de Bornemouth;
- Alan VIVIAN, 15 anos, Escuta de Bornemouth;
- Bert "Nippy" WATTS, 7 anos, Escuta de Bornemouth;
PATRULHA LOBO:
- Guia Bob WROUGHTON, 16 anos, favorito de BP, + 1914;
- Cedric CURTEIS, 13 anos, Escuta de Poole;
- John Evans LOMBE, 11 anos, interno de Cheltenham;
- Percy MEDWAY, 14 anos, Escuta de Poole;
- Simon RODNEY, 12 anos ***
PATRULHA CORVO:
- Guia Thomas EVANS-NOBILE, 14 anos, interno de Cheltenham, + 1994;
- Bert BLANFORD, 13 anos, Escuta de Bornemouth;
- Marc NOBLE, 10 anos, interno de Etoon, + 1917;
- Arthur PRIMMER, 15 anos, Escuta de Bornemouth;
- James RODNEY, 14 anos, interno de Harrow.
*** não confirmada a presença.
Estes são os "heróis" que tornaram possível o Centenário agora comemorado.
São dignos de ser recordados, junto com BP, pois foram pioneiros de um método que se mostrou ser a maior descoberta educacional para a juventude do Mundo.