Zé Manel, o novato da Patrulha Pombo, andava numa corrida desenfreada, em cima do seu skate, procurando encontrar os sinais de pista que o Chefe lhe havia falado. Tinha que os seguir... mas como se não sabia que sinais eram esses? Já passara por uma seta bifurcada... um X, um círculo com outro lá dentro... mas isso não lhe dizia nada! Continuou a caminhada:“Rola, rola, meu querido skate... vai lá mais depressa um pouquinho!” incitava o novato Escuteiro, inclinado sobre si mesmo para tentar vêr os sinais que buscava.
Passados alguns minutos, viu finalmente alguma coisa que lhe chamou a atenção: viu uma carta desenhada no chão, com o número 3 no meio... devia ser isso: O CHEFE SEMPRE DISSE, NAS PALESTRAS AO GRUPO, QUE UMA CARTA DESENHADA COM UM NÚMERO É SINAL DE MENSAGEM ESCONDIDA A X PASSOS! Finalmente estava no bom caminho!
Passados alguns minutos, viu finalmente alguma coisa que lhe chamou a atenção: viu uma carta desenhada no chão, com o número 3 no meio... devia ser isso: O CHEFE SEMPRE DISSE, NAS PALESTRAS AO GRUPO, QUE UMA CARTA DESENHADA COM UM NÚMERO É SINAL DE MENSAGEM ESCONDIDA A X PASSOS! Finalmente estava no bom caminho!
Seguiu os passos indicados e... EUREKA! A carta ali estava à espera dele, prontinha para ser lida, pelo que vamos lá a pôr mãos à obra!
Aberta a carta, viu uns arabescos que logo reconheceu serem feitos pelo punho do Reinaldo, o Guia da Patrulha. Nela dizia que era o dia da BA e que todos deveriam procurar um modo de cumprir o dever imposto pela Lei do Escuta. A avaliação para as Boas Acções seria feita e os resultados seriam divulgados durante o Fogo de Conselho, pelo que urgia apressar o final do Grande Jogo para haver tempo para a avaliação.
“Zé... é a tua oportunidade, uma carta que te vai dar o sucesso junto da Patrulha! Vão vêr quem é o Novato!” - pensou o nosso amigo.
“Bom, bom, deixa-te mas é de coisas…” - dizia-lhe a razão, “como és mesmo um principiante nestas coisas, o melhor é apressares-te, senão acabas depois do Fogo de Conselho! Faz mas é o que vem aí escrito.”
Na carta, em linguagem de código, que ele até havia aprendido bem, dizia:
“Caro Irmão Escuta: uma senhora, de uma idade já avançada, pede para ser salva das mãos de um perigoso grupo de malandros, que a não deixam descansar para lhe roubarem a fruta do quintal! A casa da senhora fica perto da Igreja Matriz e é uma que tem uma grande macieira logo à entrada do portão.”
“Claro que nem água em dia de chuva... é a história do costume” disse Zé Manel de si para si, com ar de desilusão, limpando o suor da testa com as costas da mão. “E onde estará ela, meu Deus? Como sei quem é a senhora se a não conheço?”
“Diz aqui que está num quarto fechado... de que lado? Como sei que não é uma armadilha?”
“Boa!” disse o Novato de si para si, revirando os olhos com o nervoso miudinho. “Para além de Escuteiro empenhado em praticar uma BA... ainda tenho de ser bruxo para adivinhar uma situação tão difícil como aquela... uma avózinha em maus lençóis porque deixou a porta aberta...
“Bom, bom, deixa-te mas é de coisas…” - dizia-lhe a razão, “como és mesmo um principiante nestas coisas, o melhor é apressares-te, senão acabas depois do Fogo de Conselho! Faz mas é o que vem aí escrito.”
Na carta, em linguagem de código, que ele até havia aprendido bem, dizia:
“Caro Irmão Escuta: uma senhora, de uma idade já avançada, pede para ser salva das mãos de um perigoso grupo de malandros, que a não deixam descansar para lhe roubarem a fruta do quintal! A casa da senhora fica perto da Igreja Matriz e é uma que tem uma grande macieira logo à entrada do portão.”
“Claro que nem água em dia de chuva... é a história do costume” disse Zé Manel de si para si, com ar de desilusão, limpando o suor da testa com as costas da mão. “E onde estará ela, meu Deus? Como sei quem é a senhora se a não conheço?”
“Diz aqui que está num quarto fechado... de que lado? Como sei que não é uma armadilha?”
“Boa!” disse o Novato de si para si, revirando os olhos com o nervoso miudinho. “Para além de Escuteiro empenhado em praticar uma BA... ainda tenho de ser bruxo para adivinhar uma situação tão difícil como aquela... uma avózinha em maus lençóis porque deixou a porta aberta...
... é no que dá! Santa paciência…”
E lá continuou o seu caminho:
“Bem, vamos lá, meu skate, espera-nos uma aventura… algures!” - E dito isto, saíu a toda a velocidade que a sua experiência com o skate permitia. Sabia que era uma aventura que ia viver, mas isso não o incomodava. O 11º. Artigo da Lei dizia: "O ESCUTA NUNCA SE ENSARILHOCA!"... e o Zé cumpria a Lei calcorreando as ruas da vila como se fosse D. Quichote a cavalgar o seu Rocinante em galope pelas florestas, procurando encontrar a sua prometida donzela Dulcineia del Toboso e salvá-la das mãos daqueles que a aprisionavam.
E lá continuou o seu caminho:
“Bem, vamos lá, meu skate, espera-nos uma aventura… algures!” - E dito isto, saíu a toda a velocidade que a sua experiência com o skate permitia. Sabia que era uma aventura que ia viver, mas isso não o incomodava. O 11º. Artigo da Lei dizia: "O ESCUTA NUNCA SE ENSARILHOCA!"... e o Zé cumpria a Lei calcorreando as ruas da vila como se fosse D. Quichote a cavalgar o seu Rocinante em galope pelas florestas, procurando encontrar a sua prometida donzela Dulcineia del Toboso e salvá-la das mãos daqueles que a aprisionavam.
A busca da velha senhora iria ser difícil, mas a dificuldade dava-lhe ânimo. E lá seguia procurando acompanhar sempre de perto o caminho indicado na carta, sorrindo para si próprio com a vaidade por ter encontrado aquela mensagem. Só era preciso não se perder!
A viagem ia decorrendo sem problemas, se não contar aquela vez em que ficou pendurado num ramo de árvore que se atravessou no caminho, enquanto as suas botas continuaram em cima do skate por ali fora… E também quando caiu pela cascata quando tentava atravessar um rio sem saír de cima do skate… Para além destes precalços, tudo corria bem!
Zé Manel, finalmente, parou. “Hum… estranho, não conheço este local mas parece que já ouvi falar nele... Uma macieira no quintal... Aha! Já sei. É o quintal descrito na carta e aquela casa, que tem fumo na chaminé, só pode ser a da senhora que pede socorro! Brilhante dedução!” pensou ele, muito convencido, ao mesmo tempo que saía de cima do skate e colocava este debaixo do braço.
A viagem ia decorrendo sem problemas, se não contar aquela vez em que ficou pendurado num ramo de árvore que se atravessou no caminho, enquanto as suas botas continuaram em cima do skate por ali fora… E também quando caiu pela cascata quando tentava atravessar um rio sem saír de cima do skate… Para além destes precalços, tudo corria bem!
Zé Manel, finalmente, parou. “Hum… estranho, não conheço este local mas parece que já ouvi falar nele... Uma macieira no quintal... Aha! Já sei. É o quintal descrito na carta e aquela casa, que tem fumo na chaminé, só pode ser a da senhora que pede socorro! Brilhante dedução!” pensou ele, muito convencido, ao mesmo tempo que saía de cima do skate e colocava este debaixo do braço.
E continuou, de si para si, “agora só falta encontrar maneira de entrar na casa da senhora, libertá-la e regressar ao acampamento.
E lá foi, perguntando-se e respondendo às suas lucubrações. “Casa com quintal?”... “Por ali.”... “Porta da casa?”... “É aquela.” até que finalmente o valente Novato conseguiu entrar na belíssima casa, rodeado de um jardim colorido com milhares de flores... e onde havia uma bela macieira de onde pendiam frutos apetitosos, muito vermelhinhos.
“Nada mau, nada mau, nem parece uma casa onde os malandros dos ladrões de fruta venham molestar uma senhora já de idade. E até devem estar a cozinhar, pelo fumo que se vê sair lá por trás…”
Nisto, ouviu-se um grito de socorro! Correndo para o sítio de onde saíu o grito e avistou a tão ansiada senhora de idade já avançada, que se encontrava na cozinha, junto ao fogão que ficava do lado direito de quem entra e onde crepitava um alegre fogo, muito vivo. A senhora esbracejava, aflita, e o nosso Escuteiro, como um Cavaleiro da Távola Redonda de antanho, avançou rapidamente para lá. Agora sim, era a altura de tornar realidade o sonho que sempre tivera: ser o primeiro Escuteiro da sua Patrulha a fazer uma BA durante um jogo... ou talvez não fosse o primeiro, mas não importava: IA GANHAR O GRANDE JOGO, estava certo!
Colocou no chão o seu inseparável skate e disse à senhora, que tinha um olhar muito doce e nada assustado: “Esperai, minha querida senhora, não tardarei a salvar-vos!”
Começou então a olhar em redor, voltou a olhar para aqui e ali, até que perguntou:
"Onde estão os malandros que lhe querem roubar as maçãs? Não estava ninguém lá fora, pareceu-me!"
E lá foi, perguntando-se e respondendo às suas lucubrações. “Casa com quintal?”... “Por ali.”... “Porta da casa?”... “É aquela.” até que finalmente o valente Novato conseguiu entrar na belíssima casa, rodeado de um jardim colorido com milhares de flores... e onde havia uma bela macieira de onde pendiam frutos apetitosos, muito vermelhinhos.
“Nada mau, nada mau, nem parece uma casa onde os malandros dos ladrões de fruta venham molestar uma senhora já de idade. E até devem estar a cozinhar, pelo fumo que se vê sair lá por trás…”
Nisto, ouviu-se um grito de socorro! Correndo para o sítio de onde saíu o grito e avistou a tão ansiada senhora de idade já avançada, que se encontrava na cozinha, junto ao fogão que ficava do lado direito de quem entra e onde crepitava um alegre fogo, muito vivo. A senhora esbracejava, aflita, e o nosso Escuteiro, como um Cavaleiro da Távola Redonda de antanho, avançou rapidamente para lá. Agora sim, era a altura de tornar realidade o sonho que sempre tivera: ser o primeiro Escuteiro da sua Patrulha a fazer uma BA durante um jogo... ou talvez não fosse o primeiro, mas não importava: IA GANHAR O GRANDE JOGO, estava certo!
Colocou no chão o seu inseparável skate e disse à senhora, que tinha um olhar muito doce e nada assustado: “Esperai, minha querida senhora, não tardarei a salvar-vos!”
Começou então a olhar em redor, voltou a olhar para aqui e ali, até que perguntou:
"Onde estão os malandros que lhe querem roubar as maçãs? Não estava ninguém lá fora, pareceu-me!"
A senhora diz-lhe, então: "Meu querido menino... não havia ninguém a roubar maçãs, até porque elas são para dar aos pobres aqui da terra! Ainda ontem mandei um saco delas para os Escuteiros que estão acampados ali na Várzea! Não és um deles, pois não?"
“Minha senhora... então não precisa de ser salva! Só a mim podia acontecer isto”
“Agradeço meu nobre e valente Escuteirinho. Não era preciso teres vindo até aqui, pois não há qualquer perigo.” disse-lhe a senhora.
“Não?” perguntou Zé Manel, meio envergonhado. “Mas ouvi o vosso grito, ainda à pouco... ”
“Grito? Que grito falas tu, meu rapazinho? Eu moro aqui. É a minha casa. O único problema é
que havia fogo na cozinha, por isso eu estava a gritar por ajuda, mas não passou de um pano que ardeu! Consegui apagar e pronto!”
Zé Manel sorriu ligeiramente, fazendo aquela cara de parvo tão sua característica, pegou no skate, e disse:
“Bolas! Lá vim salvar a pessoa errada!”
“Agradeço meu nobre e valente Escuteirinho. Não era preciso teres vindo até aqui, pois não há qualquer perigo.” disse-lhe a senhora.
“Não?” perguntou Zé Manel, meio envergonhado. “Mas ouvi o vosso grito, ainda à pouco... ”
“Grito? Que grito falas tu, meu rapazinho? Eu moro aqui. É a minha casa. O único problema é
que havia fogo na cozinha, por isso eu estava a gritar por ajuda, mas não passou de um pano que ardeu! Consegui apagar e pronto!”
Zé Manel sorriu ligeiramente, fazendo aquela cara de parvo tão sua característica, pegou no skate, e disse:
“Bolas! Lá vim salvar a pessoa errada!”
E partiu para o acampamento, sem pensar mais na BA que tinha de fazer, segundo a mensagem encontrada. O Chefe iria perceber, quando ele contasse o que tinha acontecido.
Talvez tivesse deixado de ser o Novato que todos conheciam! As lições aprendem-se!









