quarta-feira, 7 de outubro de 2009

UM NOVO ANO ESCUTISTA...

Um dos momentos mais importantes da minha vida escutista foi o que aconteceu quando fiz a minha Promessa de Caminheiro, no princípio dos anos 60, no âmbito de um Acampamento Regional de Lisboa.
A passagem do Grupo ao Clã foi memorável e nessa cerimónia fui confrontado com a necessidade de escolher um "tóten" e uma divisa, que iriam ser a minha "marca" para toda a vida. No momento em que me "baptizaram" como o "Lobo Esfaimado", logo prometi a mim mesmo que faria bom uso da honraria desse "tóten" e escolhi por divisa "QUEM NÃO VIVE PARA SERVIR... NÃO SERVE PARA VIVER!".
O Assistente Nacional de então, o já falecido Padre João Ferreira, ao tempo também Capelão Chefe da Força Aérea, convidou-me então para integrar uma Equipa Nacional de Expansão, formada por Caminheiros que se encontravam em Lisboa por motivo de estudos ou do Serviço Militar. Essa Equipa de Expansão tinha por finalidade dar apoio nos programas de desenvolvimento e programação de actividades escutistas, pelo que muitas vezes fomos solicitados a participar em acções de propaganda local em algumas Paróquias onde se estava a implementar o Escutismo.
Quando o Agrupamento era finalmente reconhecido pela Junta Central e estava apto a aceitar a rapaziada que aspirava ser Escuteira, o nosso íntimo parecia que inchava pelo orgulho de termos contribuído com o nosso trabalho para a formação da novel Unidade.
Mas para lá chegar, tinha havido um trabalho de sapa em que todos foram importantes, pois cada um dos elementos da Equipa de Expansão estava "especializado" numa área de conhecimento escutista e fez todos os possíveis por SERVIR, em fidelidade ao lema dos Caminheiros! O ideal escutista era a pedra de toque que nos impulsionava para fazer cada vez melhor o trabalho que nos era imputado.
Lógico que também nos Nacionais era a Equipa solicitada para fazer parte do "staff" que tinha por missão organizar o acampamento. Ao regressar a casa, era possível dormir tranquilo, porque a nossa missão tinha sido integralmente cumprida, porque era uma satisfação sabermos que a nossa Promessa estava a ser cumprida, sem desvios à Lei e aos Princípios!
E no início de cada ano Escutista que se iniciava, lá estava a Equipa de Expansão da Junta Central do Corpo Nacional de Escutas pronta para novas e aliciantes "aventuras" que levassem ao aparecimento de novos Agrupamentos capazes de dar resposta à formação dos jovens segundo os métodos que Baden-Powell nos legou!
O Chefe D. José de Lencastre sempre se orgulhou do nosso trabalho em prol do CNE e nós sempre nos orgulhamos de um dia ter sido possível SERVIR DEUS, A IGREJA E A PÁTRIA através do Escutismo!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

BADEN-POWELL E O CHIFRE DE KUDU

O Chifre de Kudu e os Matabeles O kudu é um dos maiores e belos antilopes da ÁFrica. Ele é também a origem de uma obscura tradição no Escutismo: por todo o mundo, os elegantes chifres espiralados do kudu, ôcos, são usados como um instrumento de sopro, uma corneta, por exemplo, para se fazerem as chamadas nos acampamentos escutistas ou nos cursos de formação de escuteiros.
Em 1890, Baden-Powell lutou na Campanha dos Matabele, onde hoje se situa o Zimbabwe. Os guerreiros Matabele tinham um método único de sinalização militar, usando uma nota profunda emitida com auxílio de um chifre de kudu para enviar sinais codificados a longas distâncias. No final da campanha, B.P. levou um desses chifres para casa, como um troféu - o chifre tinha pertencido ao Chefe Matabele Siginyamatshe.
No acampamento da Ilha de Brownsea, em 1907, os primeiros Escuteiros eram despertados, todas as manhãs, pelo som do chifre de kudu que Baden-Powell resolvera levar para o campo, tal como fizera com alguns dos seus outros trofeus militares favoritos, porque pretendia com eles inspirar os rapazes acampados.

O Fundador era um verdadeiro mestre na arte de contar histórias, pelo que não perdia nenhuma chance de contar os feitos pelos quais ele se tornara famoso.
Foi o Acampamento de Brownsea que marcou o nascimento do Movimento Escutista. Mais tarde Baden-Powell ofereceu o seu chifre de kudu ao novo chefe de campo de Gilwell Park, que se situa nos arredores de Londres e é o santuário da formação de Chefes Escutas por excelência .
Em 1929, no 21º aniversário do Escutismo, foi realizado o Jamboree Mundial em Arrowe Park (Inglaterra). Baden-Powell usou o mesmo chifre de kudu para fazer a chamada de todos os participantes desse Jamboree.
Seguindo uma tradição que remonta há 90 anos, as patrulhas são chamadas a reunir com o toque tradicional do chifre de kudu, durante os cursos da Insígnia de Madeira.
O kudu (Tregelaphus strepsiceros) é uma espécie de antílope cujo habitat vai desde a África do Sul á Etiópia. Um touro Kudu pode chegar a uma altura de 1,5 metros e tem uma coloração que vai de um cinzento avermelhado até quase azul. As suas características de visão aguçada, bom sentido de audição, olfacto apurado e grande velocidade fazem dele um animal difícil de capturar.
Pode parecer estranho que o chifre de um antílope africano, do tipo usado pelos Matabeles como clarim de guerra no século XIX, seja usado para chamar Escuteiros e Chefes por esse mundo fora. John Thurman, grande nome do Escutismo britânico, conta como BP conheceu o chifre de kudu:

"Como coronel em África, em 1896, Baden-Powell comandou uma coluna militar na Campanha Matabele. Foi num raid pelo rio Shangani abaixo que ele primeiro ouviu o som do chifre de kudu. Ele andava confundido pela rapidez com que os alarmes eram espalhados entre os Matabeles, até que um dia se apercebeu que eles usavam o chifre de kudu, o qual tinha uma grande potência sonora. Era usado um código. Assim que o inimigo era avistado, o alarme era tocado no kudu, para todos os lados, e assim transmitido por muitas milhas em pouco tempo."

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

LEMBRANDO...

Por vezes torna-se necessário recordar as coisas mais singelas da vida, como por exemplo...
Os dez artigos da Lei Escutista... ou Escoteira , como se queira:
(versão traduzida da original escrita por Banden-Powell, seguidos de breves observações feitas pelo próprio)
1. A Honra, para os Escuteiros, é ser digno de confiança.
"A Honra para um Escuteiro é ser digno de toda confiança. Para um Escuteiro, nenhuma tentação, por maior que seja, e embora seja secreta, irá persuadi-lo a praticar uma acção desonesta ou escusa, mesmo muito pequena. Não voltará atrás com uma promessa, uma vez feita. A palavra de um Escuteiro equivale a um contrato. Para um Escuteiro, a verdade, e nada mais que a verdade."
Baden-Powell
2. O Escuteiro é leal ao Rei, à sua pátria, aos seus escuteiros, aos seus pais, aos seus empregadores ou aos seus subordinados.
"O Escuteiro é leal à Pátria, à Igreja, às autoridades governamentais, aos seus pais, seus chefes, seus patrões e aos que trabalham como seus subordinados. Como bom cidadão, pertence a uma equipe, 'jogando o jogo' honestamente, para o bem do conjunto. Merece a confiança do governo da sua pátria, do Movimento Escutista, dos seus amigos e companheiros da Patrulha, dos seus patrões ou dos seus empregados, que esperam que seja correto, fazendo o melhor possível para benefício deles, ainda que eles não correspondam sempre bem àquilo que deles se espera. Além disso, o Escuteiro é leal também a si mesmo; não quer diminuir o respeito a si mesmo jogando mal de propósito; nem vai querer decepcionar ou ficar em falta com outro homem, nem, tampouco, com outra mulher."
Baden-Powell
3. O Dever para o Escuteiro é ser útil e ajudar o próximo.
"O dever do Escuteiro é ser útil e ajudar a todos. Como Escuteiro, o mais alto objetivo é servir. Deve merecer a confiança de que, em qualquer ocasião, estará pronto a sacrificar tempo, trabalho, ou, se necessário, a própria vida pelos demais. O sacrifício é o sal do serviço."
Baden-Powell
4. O Escuteiro é amigo de todos e irmão dos demais escuteiros, não importando a que país, classe ou credo o outro possa pertencer.
"É amigo ou irmão, não importando a que país, classe ou credo o outro possa pertencer. Como Escuteiro, reconhece as demais pessoas como sendo, com ele, filhos do mesmo Pai, e não faz caso das suas diferenças de opinião, casta, credo ou país, quaisquer que elas sejam. O Escuteiro domina os próprios preconceitos e procura encontrar as boas qualidades que tenham; o defeito deles qualquer um pode criticar. Quando se põe em prática esse amor pelas pessoas de outros países e se ajuda a fazer surgir a paz e a boa vontade internacionais, então teremos o Reino de Deus na terra. O mundo inteiro é uma fraternidade."
Baden-Powell
5. O Escuteiro é cortês.
"Como os antigos cavaleiros, o rapaz, porque é Escuteiro, será, sem dúvida, polido e atencioso com as mulheres, velhos e crianças. Mas, além disso, o Escuteiro é polido mesmo com aqueles que estão contra ele. Aqueles que têm razão, não precisam perder a calma; aqueles que não têm razão, não podem dar-se ao luxo de perdê-la."
Baden-Powell
6. O Escuteiro é amigo dos animais.
"O rapaz reconhecerá como companheiras as outras criaturas de Deus, postas, como ele, neste mundo, durante certo tempo, para gozar as suas existências. Maltratar um animal é, portanto, um desserviço ao Criador. Um Escuteiro deve ter um grande coração."
Baden-Powell
7. O Escuteiro obedece às ordens dos seus pais, do seu monitor ou do seu chefe escuteiro.
"O Escuteiro obedece, de boa vontade, sem vacilar, às ordens de seus pais, Monitores e Chefes. Como Escuteiro, o rapaz disciplina-se e põe-se, profunda e voluntariamente, às ordens das autoridades constituídas, para o bem geral. A comunidade mais feliz é a comunidade mais disciplinada; a disciplina, porém, deve vir do íntimo, e nunca ser imposta de fora. Por isso, tem um grande valor o exemplo que o Escuteiro der aos demais nesse sentido."
Baden-Powell
8. O Escuteiro sorri e assobia sobre todas dificuldades.
"Como Escuteiro o rapaz será visto como o homem que não perde a cabeça e que agüenta qualquer crise com ânimo alegre, coragem e optimismo."
Baden-Powell
9. O Escuteiro é econômico.
"Como Escuteiro, o rapaz olhará para o futuro e não irá dissipar tempo e dinheiro com prazeres do momento, mas, ao contrário, fará uso das oportunidades do momento tendo em vista o futuro sucesso. Ninguém fará isso com a idéia de não ser um ônus, mas uma ajuda para os demais."
Baden-Powell
10. O Escuteiro é limpo no pensamento, na palavra e na acção.
"O Escuteiro é limpo em pensamento, palavra e acção. Como Escuteiro, espera-se que o rapaz tenha não só uma mente limpa, como também uma vontade limpa; seja capaz de controlar quaisquer tendências intemperadas do sexo; dê um exemplo aos demais sendo puro, franco, honesto em tudo que pensa, diz ou faz."
Baden-Powell

Valores do Movimento Escutista, segundo a Organização Mundial do Escutismo:
Missão
- A missão do Escutismo é contribuir para a educação do jovem, através de um sistema de valores baseados na Promessa e na Lei Escutista, ajudando a construir um mundo melhor, onde se valorize a realização individual e a participação construtiva na sociedade.
Visão
- O Movimento Escutista é um movimento global que produz uma real contribuição para a criação de um mundo melhor.
Princípios do Escutismo
A Organização Mundial do Escutismo define como Princípios do Escutismo:
- Dever para com Deus (crença e vivência de uma fé, independentemente de qual seja);
- Dever para com os outros (participação na sociedade, boa acção, serviço ao próximo);
- Dever para consigo próprio (crescimento saudável e auto desenvolvimento
).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O ESCUTISMO ESTÁ VIVO!!!

Pórtico do último Nacional
*
Foi num Conselho Nacional reunido extraordináriamente em 1980, em Ermesinde, que foi lançado um novo Sistema de Formação de Dirigentes, sendo Chefe Nacional do CNE o excelentíssimo Dirigente que foi o Chefe Velez da Costa, que estava com o mandato a terminar. Com a determinação que lhe era peculiar, ele e a sua equipa conseguiram levar o CNE para a revisão estatutária do Movimento, que terminou em 26 de Setembro de 1981, a que se seguiu a revisão geral do Regulamento do CNE, que veio a ser concluída nos primeiros dias de 1984, entrando em vigor a 1 de Março do mesmo ano. No ano seguinte , em 29 de Maio de 1982, uma representação dos Comités Mundial e Europeu deslocaram-se a Portugal, entregando ao CNE e à AEP, que recentemente haviam fundado e constituído a FEP - Federação Escutista de Portugal - , o competente diploma.
Assistiu-se também à realização do 16.° Acampamento Nacional em Setúbal, no ano de 1983, numa altura em que se davam os primeiros passos do acordo celebrado entre o CNE e o MSC - Movimento Scout Católico de Espanha -, após uma Cimeira Ibérica das duas associações. E tudo veio a ser merecedor duas prendas: a atribuíção da "Medalha de Bons Serviços Desportivos" e o reconhecimento do CNE - Escutismo Católico Português) como Instituição de Utilidade Pública, conforme Despacho de 20 de Julho de 1983 do Primeiro Ministro, publicado no Diário da República, II série, de 3 de Agosto de 1983 .
Os últimos quinze anos do CNE estão marcados por uma enorme expansão do Escutismo e um extraordinário aumento dos efectivos, em todo o continente e regiões autónomas.
Foram desenvolvidas novas áreas, como é exemplo a do ambiente, com a inauguração em 1988, do Centro Nacional de Formação Ambiental, em S. Jacinto - Aveiro, com toda a gama das mais diversas campanhas, onde se pode destacar a de "Um Milhão de Árvores". As campanhas como a do calendário escutista, a do seguro escuta, a da sede própria e outras, têm enriquecido o património do Corpo Nacional de Escutas. A nÍvel pedagógico deve dar-se especial realce para o aparecimento das metodologias educativas das quatro Secções, de livros, revistas, fichas e manuais.
Rover's, encontros e fóruns de caminheiros, expansão do Escutismo Marítimo, a forte sensibilização do Escutismo de integração, são pontos fortes na vida da associação.
Os últimos três Acampamentos Nacionais, como o de Bagunte em 1987, o do Palheirão em 1992, em que o governo atribuiu a Ordem de Mérito, como reconhecimento do CNE junto dos jovens Portugueses e o de Valado de Frades em 1997, constituíram pontos altos na vida da Associação e dos milhares e milhares de jovens participantes.
Como resultado destes eventos foi a presença maciça no Jamboree da Holanda em 1995 e do Moot na Suécia em 1996 que são bem o testemunho do grande desenvolvimento que ocorre a todos os níveis.
Seminários como o da Família em 1994 e o congresso "Valores e Missão" em 96/97, concretizam a forte maturidade e implantação do Escutismo Católico em toda a sociedade portuguesa.
A última palavra para a organização do CNE, com a publicação dos últimos estatutos, diversos regulamentos e regimentos e os mais diversos protocolos com destaque para os dos Países de Língua Oficial Portuguesa.
Mais recentes há muitas outras coisas para comemorar, como sendo o 1º. Centenário do primeiro acampamento Escutista na Ilha de Brownsea, em que Portugal esteve superiormente representado, mas também o Nacional em Idanha, a canonização de São Nuno de Santa Maria... etc...etc...etc.
O Escutismo em Portugal está vivo e recomenda-se!
Arraial...Arraial, por Santa Maria, São Jorge, São Nuno, São Paulo, São Francisco de Assis e Portugal!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

DOIS MÉTODOS DE FORMAÇÃO

Quando recordo o Método Escutista criado por Baden-Powell, sei que estou a lembrar apenas e tão só aquele que é, reconhecidamente, o melhor movimento educacional para a educação integral da juventude.
Não teria nenhum interesse estar a recordar tal facto se não estivesse em causa o factor EDUCAÇÃO DA JUVENTUDE, pois são conhecidos vários métodos destinados aos jovens, mas nenhum conseguiu ter o impacto conseguido com o uso do "Escutismo para Rapazes", do "Manual do Lobito", do "Sistema de Patrulhas" ou do "Caminho do Triunfo".
No entanto sou levado a reconhecer "A Pedagogia Waldorf" como o maior movimento educacional independente no mundo. Foi este sistema proposto pelo filósofo social austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), após ter sido convidado por uma indústria alemã, a Waldorf-Astoria, a fundar uma escola para os filhos dos operários da fábrica, na cidade de Stuttgart.
Dessa forma nasceu em 1919, com essa primeira escola e quando ainda se vivenciava o fim da primeira guerra mundial, um novo conceito de educação, baseado no conhecimento profundo do desenvolvimento humano.
A tarefa proposta pela escola foi sendo assumida por centenas, milhares de pessoas que hoje trabalham nas escolas espalhadas pelo mundo inteiro. As escolas Waldorf formam, hoje, a rede independente que mais cresce no mundo. Reconhecida pela UNESCO, cada uma dessas escolas faz parte da cultura local do país, região ou cidade onde está inserida, mas todas têm um currículo comum, com propostas metodológicas que estimulam o entusiasmo pela aprendizagem e o desenvolvimento saudável da criança, que desafiam as faculdades críticas e de julgamento que não raro se manifestam mais fortemente a partir dos 12 anos.
A tarefa da educação Waldorf está no respeito à individualidade da criança, despertá-la, desenvolvê-la e incentivar o seu desabrochar. O professor, ao identificar os talentos e capacidades de cada criança, exercita o interesse perante as diferenças de cada um.
Espelhadas no atuar do adulto, as crianças preparam-se para uma sociedade multicultural, sem distinções sociais, religiosas ou nacionais.
Em pesquisas efectuadas na Grã-Bretanha aponta-se para o ambiente das escolas Waldorf como sendo aquele que apresenta a mais baixa incidência de alergias nas crianças, bem como o mais baixo índice de faltas escolares por doenças. Podem-se interpretar esses dados tanto pelo largo uso de medicina homeopática e/ou antroposófica entre as crianças, como pela alimentação rica em verduras e cereais integrais (que são estimulados na vida escolar) e pelas propostas de ensino.
Rudolf Steiner referia a pedagogia Waldorf como o alimento necessário para o bom desenvolvimento do querer (vontade), sentir e pensar da criança. A escola deve propiciar as vivências diárias que vão permitir à criança utilizar as forças do querer, do sentir e do pensar; não deixando nenhuma dessas represadas sem fluir no organismo.
Olhando aquilo que diz Steiner e revendo o que BP nos ensina, sou levado a concordar com um facto que se encontra por demais implícito nas duas metodologias de ensino: Ambas são viradas para a educação total do jovem... ambas são conducentes a uma necessidade de se dar à criança o sentido das coisas através do querer, do sentir e do pensar.
Logo, a pedagogia Waldorf nem sequer poderá ser considerada como uma forma de se dar outra dimensão ao Escutismo, porque poderá ser um método que surgiu para complementar outro, mas nunca será um substituto, apesar de todo o valor da pedagogia aludida.
O Escutismo visa a educação integral do jovem e a pedagogia Waldorf visa ser uma forma complementar na aplicação do método Escutista, porque este ainda não encontrou um substituto à altura.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

ACAMPAMENTO AMBIENTAL

Nos dias que passam, uma das palavras que mais se ouvem é "proteger o ambiente"... "fazer uso de métodos ecológicos na montagem dos nossos acampamentos"... "utilizar a separação de objectos passiveis de reciclagem" e tantas outras coisas que já deixaram de ser simples moda ou a preocupação de alguns jovens cabeludos, desses que usam óculos redondos e de ideias radicais e passaram a ser uma exigência consciente de uma sociedade que anseia por viver melhor, de um modo mais saudável e está atenta, pois em todo o mundo começou a existir uma consciência colectiva capaz de nos levar a exigir o ar mais puro, a água menos poluída, menos poluição sonora, uma arquitectura em que é notória a harmonia de linhas e correcta inserção na paisaigem, imperando o bom gosto e o conforto, cores não agressivas... em suma: UMA VERDADEIRA APOSTA NA QUALIDADE DE VIDA... que deve ser preocupação do Escuteiro.
De facto, o Escutismo pode considerar-se o mais antigo movimento de defesa ambiental, pois foi o próprio Fundador, Baden-Powell, quem se propõe incluir no Escutismo uma Lei em que é fundamental respeitarem-se as plantas e os animais (Artigo 6º. da Lei do Escuteiro: O ESCUTEIRO PROTEGE AS PLANTAS E OS ANIMAIS), mesmo que naquele tempo a defesa do ambiente ainda fizesse pouco sentido. A conservação do ambiente tem hoje um campo de acção muito vasto, estando a ser realizada uma tremenda luta que permita salvar o planeta terra, sendo esta luta menos amadora e mais científica, menos poética e mais jurídica.
O que se pretende com aquilo que se escreve? Apenas e tão só deixar um "ALERTA" para alguns dos erros que se vão cometendo, muitas vezes, quando vamos acampar... e agora é chegado o tempo dos grandes acampamentos de Verão.
Baden-Powell sempre alertou para a necessidade de se "deixar o local de acampamento melhor do que o encontraste", pelo que vamos deixar aqui algumas sugestões e cuidados a ter para a protecção ambiental nos acampamentos.
Ao chegares ao local do acampamento...nunca arranques a vegetação que por lá exista, pois se o fizeres estarás a contribuir para que, por causa da utilização contínua, a erosão depressa torne o campo num local onde se tornará impossível voltar a acampar.
O que será bom é limpares o local do teu acampamento, retirando os paus e as pedras que nele encontrares.
Ao proceder à montagem do campo... não pregues nem espetes nada nas árvores, pois se o fizeres vais danificar os canais condutores da seiva da árvore... e isso, quando menos esperas, acabara por matar a árvore. O que deves é usar uma espia e com ela seguras aquilo que quiseres.
... nunca faças regos em volta da tenda, pois ao fazê-los estarás a destruir a camada de "manta morta" (humus), causando graves danos no sistema radicular da vegetação existente. Sendo imprescindível fazer regos para escoar as águas das chuvas - se a tenda não é impermeável...por exemplo - fá-los então de um tamanho reduzido e com pouca profundidade.
Para as construções de campo... nunca cortes nenhuma árvore, pois quando o fazes estás a desperdiçar e a danificar os recursos florestais existentes. Posso lembrar-te que "uma árvore é uma vida". Deves reduz as construções a um mínimo possível, usando algumas madeiras de troncos caídos... e tenta que as construções fiquem apoiadas nas árvores, pois assim reduzirás a madeira para as construções.
... não desperdices a água, pois esta é um recurso natural de elevada importância e já está bastante limitado. Utiliza a água com método e parcimónia, evitando deste modo um consumo elevado de um bem tão precioso.

... na lavagem da loiça ou da roupa, nunca utilizes detergentes que não sejam biodegradáveis . Se usares estes produtos estarás a contribuir para uma contaminação dos lençóis de água existentes no subsolo. Lava a loiça ou a roupa utilizando sempre detergentes biodegradáveis, pois são menos poluentes.
No teu dia-a-dia no acampamento procura não deitares nada para o chão. Se o fizeres estarás a destruir a floresta, poluindo-a. Utiliza sacos para recolha e tranporte dos lixos para um local onde façam a sua recolha, quando terminar o acampamento. Dentro do possível, deves separar esses lixos por tipos.

... nunca grites com os teus companheiros nem utilizes rádios, porque se o fazes não poderás disfrutar do "silêncio" que a vida no campo te pode oferecer...e estará a perturbar o "habitat natural" onde te encontras.

Se cumprires com estes simples princípios, podes ter a certeza de que o teu acampamento de verão irá decorrer de uma forma de que te irás orgulhar!
É que o bom Escuteiro faz coisas boas por bons motivos ... e até nem precisa que lhe lembrem a Lei! Basta-lhe ser consciente!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Um Escuteiro ensarilhocado

Zé Manel, o novato da Patrulha Pombo, andava numa corrida desenfreada, em cima do seu skate, procurando encontrar os sinais de pista que o Chefe lhe havia falado. Tinha que os seguir... mas como se não sabia que sinais eram esses? Já passara por uma seta bifurcada... um X, um círculo com outro lá dentro... mas isso não lhe dizia nada! Continuou a caminhada:
“Rola, rola, meu querido skate... vai lá mais depressa um pouquinho!” incitava o novato Escuteiro, inclinado sobre si mesmo para tentar vêr os sinais que buscava.
Passados alguns minutos, viu finalmente alguma coisa que lhe chamou a atenção: viu uma carta desenhada no chão, com o número 3 no meio... devia ser isso: O CHEFE SEMPRE DISSE, NAS PALESTRAS AO GRUPO, QUE UMA CARTA DESENHADA COM UM NÚMERO É SINAL DE MENSAGEM ESCONDIDA A X PASSOS! Finalmente estava no bom caminho!
Seguiu os passos indicados e... EUREKA! A carta ali estava à espera dele, prontinha para ser lida, pelo que vamos lá a pôr mãos à obra!
Aberta a carta, viu uns arabescos que logo reconheceu serem feitos pelo punho do Reinaldo, o Guia da Patrulha. Nela dizia que era o dia da BA e que todos deveriam procurar um modo de cumprir o dever imposto pela Lei do Escuta. A avaliação para as Boas Acções seria feita e os resultados seriam divulgados durante o Fogo de Conselho, pelo que urgia apressar o final do Grande Jogo para haver tempo para a avaliação.
“Zé... é a tua oportunidade, uma carta que te vai dar o sucesso junto da Patrulha! Vão vêr quem é o Novato!” - pensou o nosso amigo.
Bom, bom, deixa-te mas é de coisas…” - dizia-lhe a razão, “como és mesmo um principiante nestas coisas, o melhor é apressares-te, senão acabas depois do Fogo de Conselho! Faz mas é o que vem aí escrito.”
Na carta, em linguagem de código, que ele até havia aprendido bem, dizia:
“Caro Irmão Escuta: uma senhora, de uma idade já avançada, pede para ser salva das mãos de um perigoso grupo de malandros, que a não deixam descansar para lhe roubarem a fruta do quintal! A casa da senhora fica perto da Igreja Matriz e é uma que tem uma grande macieira logo à entrada do portão.”

“Claro que nem água em dia de chuva... é a história do costume” disse Zé Manel de si para si, com ar de desilusão, limpando o suor da testa com as costas da mão. “E onde estará ela, meu Deus? Como sei quem é a senhora se a não conheço?”
“Diz aqui que está num quarto fechado... de que lado? Como sei que não é uma armadilha?”
“Boa!” disse o Novato de si para si, revirando os olhos com o nervoso miudinho. “Para além de Escuteiro empenhado em praticar uma BA... ainda tenho de ser bruxo para adivinhar uma situação tão difícil como aquela... uma avózinha em maus lençóis porque deixou a porta aberta...
... é no que dá! Santa paciência…”
E lá continuou o seu caminho:
“Bem, vamos lá, meu skate, espera-nos uma aventura… algures!” - E dito isto, saíu a toda a velocidade que a sua experiência com o skate permitia. Sabia que era uma aventura que ia viver, mas isso não o incomodava. O 11º. Artigo da Lei dizia: "O ESCUTA NUNCA SE ENSARILHOCA!"... e o Zé cumpria a Lei calcorreando as ruas da vila como se fosse D. Quichote a cavalgar o seu Rocinante em galope pelas florestas, procurando encontrar a sua prometida donzela Dulcineia del Toboso e salvá-la das mãos daqueles que a aprisionavam.
A busca da velha senhora iria ser difícil, mas a dificuldade dava-lhe ânimo. E lá seguia procurando acompanhar sempre de perto o caminho indicado na carta, sorrindo para si próprio com a vaidade por ter encontrado aquela mensagem. Só era preciso não se perder!
A viagem ia decorrendo sem problemas, se não contar aquela vez em que ficou pendurado num ramo de árvore que se atravessou no caminho, enquanto as suas botas continuaram em cima do skate por ali fora… E também quando caiu pela cascata quando tentava atravessar um rio sem saír de cima do skate… Para além destes precalços, tudo corria bem!
Zé Manel, finalmente, parou. “Hum… estranho, não conheço este local mas parece que já ouvi falar nele... Uma macieira no quintal... Aha! Já sei. É o quintal descrito na carta e aquela casa, que tem fumo na chaminé, só pode ser a da senhora que pede socorro! Brilhante dedução!” pensou ele, muito convencido, ao mesmo tempo que saía de cima do skate e colocava este debaixo do braço.
E continuou, de si para si, “agora só falta encontrar maneira de entrar na casa da senhora, libertá-la e regressar ao acampamento.
E lá foi, perguntando-se e respondendo às suas lucubrações. “Casa com quintal?”... “Por ali.”... “Porta da casa?”... “É aquela.” até que finalmente o valente Novato conseguiu entrar na belíssima casa, rodeado de um jardim colorido com milhares de flores... e onde havia uma bela macieira de onde pendiam frutos apetitosos, muito vermelhinhos.
“Nada mau, nada mau, nem parece uma casa onde os malandros dos ladrões de fruta venham molestar uma senhora já de idade. E até devem estar a cozinhar, pelo fumo que se vê sair lá por trás…”
Nisto, ouviu-se um grito de socorro! Correndo para o sítio de onde saíu o grito e avistou a tão ansiada senhora de idade já avançada, que se encontrava na cozinha, junto ao fogão que ficava do lado direito de quem entra e onde crepitava um alegre fogo, muito vivo. A senhora esbracejava, aflita, e o nosso Escuteiro, como um Cavaleiro da Távola Redonda de antanho, avançou rapidamente para lá. Agora sim, era a altura de tornar realidade o sonho que sempre tivera: ser o primeiro Escuteiro da sua Patrulha a fazer uma BA durante um jogo... ou talvez não fosse o primeiro, mas não importava: IA GANHAR O GRANDE JOGO, estava certo!
Colocou no chão o seu inseparável skate e disse à senhora, que tinha um olhar muito doce e nada assustado: “Esperai, minha querida senhora, não tardarei a salvar-vos!”
Começou então a olhar em redor, voltou a olhar para aqui e ali, até que perguntou:
"Onde estão os malandros que lhe querem roubar as maçãs? Não estava ninguém lá fora, pareceu-me!"
A senhora diz-lhe, então: "Meu querido menino... não havia ninguém a roubar maçãs, até porque elas são para dar aos pobres aqui da terra! Ainda ontem mandei um saco delas para os Escuteiros que estão acampados ali na Várzea! Não és um deles, pois não?"
“Minha senhora... então não precisa de ser salva! Só a mim podia acontecer isto”
“Agradeço meu nobre e valente Escuteirinho. Não era preciso teres vindo até aqui, pois não há qualquer perigo.” disse-lhe a senhora.
“Não?” perguntou Zé Manel, meio envergonhado. “Mas ouvi o vosso grito, ainda à pouco... ”
“Grito? Que grito falas tu, meu rapazinho? Eu moro aqui. É a minha casa. O único problema é
que havia fogo na cozinha, por isso eu estava a gritar por ajuda, mas não passou de um pano que ardeu! Consegui apagar e pronto!”
Zé Manel sorriu ligeiramente, fazendo aquela cara de parvo tão sua característica, pegou no skate, e disse:
“Bolas! Lá vim salvar a pessoa errada!”
E partiu para o acampamento, sem pensar mais na BA que tinha de fazer, segundo a mensagem encontrada. O Chefe iria perceber, quando ele contasse o que tinha acontecido.
Talvez tivesse deixado de ser o Novato que todos conheciam! As lições aprendem-se!