terça-feira, 24 de novembro de 2009

VAMOS FALAR DE ESCUTISMO? DE MOCIDADE?


Por vezes acho piada quando se pretende comparar o Escutismo à Mocidade Portuguesa, porque me dá algumas pistas reveladoras do carácter de quem compara e a certeza de que estão a agir de má fé, porque nem sequer procuraram documentar-se sobre o que é a realidade chamada Escutismo Mundial e a defunta Mocidade do Estado Novo português.
Ainda não compreendi bem porque se arrogam alguns ilustres participantes nas campanhas de má língua contra o Escutismo em tentar encontrar paralelismo entre uma e outra realidade... até porque muitos falam apenas por falar, porque nunca pertenceram nem a um nem a outro organismo, logo não sabem sequer daquilo que falam.
O Escutismo é um Movimento mundial de educação integral da juventude segundo o método criado por Lord Baden-Powell of Gilwell, ilustre General britânico que foi herói, pedagogo, cidadão do mundo e patriota. A Mocidade Portuguesa era uma organização nacional de juventude, que também visava a educação desta, mas segundo os métodos usados pelas juventudes hitleriana ou franquista, no dizer de uns, ou inspirada nos ensinamentos do fundador do Escutismo, segundo outros.
Mas não vamos aqui dissecar um ou outro Movimento, porque o Escutismo não se discute: VIVE-SE! Quanto à Mocidade, talvez o facto de o Governo de então pretender substituír o Escutismo pelo Mocidade possa dar uma ideia da inspiração... se bem que a favor do Governo, claro está!
Enquanto o Escutismo vive da acção do rapaz, alma mater do Movimento, dando-lhe desde sempre a noção de que o célebre 11º. artigo da Lei é "O ESCUTA NUNCA SE ENSARILHOCA", isto para dizer que sorri perante as dificuldades e procura soluções para as carências do quotidiano, enquanto na Mocidade se vivia do poderio do Estado, porque este dava todo o apoio às Alas do Mocidade através das Unidades Militares. E foi talvez por isso que alguns jovens puderam servir a Pátria em África pilotando aviões... porque a Mocidade dava a possibilidade de se tirar o "brevet" de piloto.
Também o Escutismo terá tido os seus "rabos de palha", porque alguns dos seus Chefes, Dirigentes ou como lhes queiram chamar, não encararam o sentido da divisa "SERVIR" com a devida seriedade e foram permitindo, deste modo, que os detractores pudessem encontrar alguns argumentos para se apontar o dedo ao Movimento, falarem da infantilidade da farda e mais aquilo que lhes possa dar na gana... mesmo que estes sejam uma excepção, felizmente.
Nós, Escuteiros, somos herdeiros de valores que nos outorgam o título de herdeiros da ESCOLA PARA A VIDA em plenitude. Pertencemos a um movimento Mundial e temos consciência de que a maioria dos países do mundo fazem gala em ter pelo menos uma associação escutista, até pelo prestígio que foi alcançado em tudo o mundo pelo Método implementado por B.P. naquele verão de 1907 na Ilha de Bronwsea, quando reuniu um grupo de rapazes e lhes deu as primeiras noções da vida de um Escuteiro!
Se essa Associação está ligada a uma religião ou não, não interessa, porque o que interessará é não haver conotações políticas! Importa à partida que qualquer pessoa possa vir a ser Escuteiro e não se importe de ser mais um daqueles de quem se possa dizer ser "UM RAPAZITO VESTIDO À HOMEM COMANDADO POR UM HOMEM VESTIDO DE RAPAZITO", que o mesmo será dizer ser "um rapazito vestido de parvo... chefiado por um parvo vestido de rapazito". Aquele que quer ser Escuteiro não terá repugnância em vestir uma farda esquisita, que aprenderá a respeitar e envergar com orgulho, tal como aprende a espeitar os valores do Escutismo.
Mas continuarei sempre a dizer: não se pense que vestir a farda de Escuteiro torna o rapaz - ou rapariga - um exemplo de virtudes! Não! O Escuteiro é um ser humano como qualquer outro, sujeito a ser criticado na primeira oportunidade... porque também erra! Mas são homens e mulheres, rapazes e raparigas que acreditam poder ajudar a construir um mundo melhor... que têm um ideal de vida e para quem o Escutismo é um estado de espírito!
ESTES SÃO ESCUTEIROS, SEM DÚVIDAS !!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

São Nuno de Santa Maria... ...o Santo Condestável

Hoje, dia 06 de Novembro, é dia de São Nuno de Santa Maria!
É o dia em que recordamos a memória do Santo que foi Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, que ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria —a sua terna Padroeira que sempre venerou—, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.
Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431, pois passou imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então começou a chamar-lhe o “Santo Condestável”.
Mas, embora a fama de santidade de Nuno se mantenha constante, chegando mesmo a aumentar, ao longo dos tempos, o percurso do seu processo de canonização será bem mais acidentado.
Promovido desde logo pelos soberanos portugueses e prosseguido pela Ordem do Carmo, deparou com numerosos obstáculos, de natureza exterior, sendo sómente em 1894 que o então postulador geral dos Carmelitas, Pe. Anastasio Ronci, conseguiu introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno “desde tempos imemoriais”, acabando este por ser concluído, felizmente, apesar das dificuldades próprias do tempo em que decorreu, no dia 23 de Dezembro de 1918, pelo decreto "Clementissimus Deus", do Papa Bento XV.
As relíquias de São Nuno foram trasladadas numerosas vezes do sepulcro original para a Igreja do Carmo, até que, em 1961, por ocasião do sexto centenário do nascimento do Santo, foi organizada uma peregrinação do precioso relicário em prata que as continha; mas pouco tempo depois este foi roubado e nunca mais foram encontradas as relíquias que contivera, pelo que foram depostos, em vez delas, alguns ossos que haviam sido conservados noutro lugar.
A descoberta, em 1966, do lugar do túmulo primitivo, que continha alguns fragmentos de ossos compatíveis com as relíquias conhecidas, reacendeu o desejo de ver o Beato Nuno proclamado em breve como Santo da Igreja... e isso aconteceu, porquanto... tendo sido levadas a cabo as respectivas investigações, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, dispôs a 3 de Julho de 2008 a promulgação do decreto sobre o milagre em ordem à canonização, e durante o Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 determinou que o Beato Nuno fosse inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009.
O Escutismo Católico Português, que já venerava o Beato Nuno Álvares e o tinha como um dos seus Patronos, tem agora mais um Santo para proteger os Escutas do Corpo Nacional de Escutas e da Fraternidade!
"Arraial, Arraial, por Nossa Senhora, Mãe do Escuta, São Jorge, São Paulo, São Nuno, CNE e Portugal! Arraial, Arraial!"

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O DIA DE FIÉIS DEFUNTOS

Neste dia não iremos esquecer todos os nossos Irmãos , que viveram o seu ideal segundo o espírito do Fundador, Lord Baden-Powell, caminhando pela vida na esperança de um dia serem admitidos no Eterno Acampamento, junto do Chefe Divino e da Santa Mãe dos Escutas, Nossa Senhora!
Na grande pista da vida, permita o Divino Chefe que o nosso "fim-de-pista" tenha em vista conseguir alcançar o grande desiderato da Vida Eterna em plenitude.

domingo, 1 de novembro de 2009

O DIA DE TODOS OS SANTOS

"EXULTEMOS DE ALEGRIA NO SENHOR, CELEBRANDO ESTE DIA DE FESTA EM HONRA DE TODOS OS SANTOS. NESTA SOLENIDADE, ALEGRAM-SE OS ANJOS E CANTAM LOUVORES AO FILHO DE DEUS."

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

UM ESCUTEIRO É.....

..."Um Escuteiro é alguém realmente livre para escolher tudo aquilo que o torna mais saudável de corpo e de espírito"
Ser Escuteiro não se trata de uma definição, mas de uma forma de se viver em plenitude, pois a condição de "ser Escuteiro" é muito mais do que o preenchimento dos nossos tempos livres, porque pressupõe o viver constante de uma Promessa que um dia se fez! Ser Escuteiro passa por se ACREDITAR que a primeira Pessoa a prometer algo de transcendente para o Homem universal foi Jesus Cristo, porque prometeu dar a Sua vida por nós! Foi esse mesmo Jesus que nos deixou como Mandamento: "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!"

O escuteiro é alguém que ama o próximo e sabe que esse próximo é seu irmão em Cristo e merece todo o seu esforço! Ser escuteiro deverá ser a melhor aventura que poderemos viver ao longo da nossa vida, mas sempre de acordo com a nossa Promessa... até que alcancemos a Terra Prometida, naquele dia em que, no Acampamento Eterno junto do Chefe Divino, passaremos a ser de facto Homens Novos!
Ser escuteiro é acreditar sempre de forma positiva... confiar que amanhã irá estar um ridente dia de sol, apesar da intempérie de hoje! Ser Escuteiro é permanecer acordado junto da fogueira, quando aquilo que mais nos apeteceria era poder dormir... Um Escuteiro sabe como acolher, como partilhar, sabendo perceber que depois de 100 anos de caminho, ainda agora começaram os desafios mais importantes, cuja constância alicia e nos dá forças para o caminho! Ser Escuteiro é viver na alegria de não ter morada permanente... ser Escuteiro será tudo aquilo que, no fundo, nos faz acreditar que a vontade e a amizade estão acima de tudo o mais!
Ser Escuteiro é saber estar SEMPRE ALERTA... PARA SERVIR Deus, a Igreja e a Pátria!
Um Escuteiro não é uma pessoa diferente das outras, morfológicamente falando, mas tem algumas características que o configuram como um ser diferente, porque:
* O Escuta tem sempre boa disposição de espírito; * O Escuta é útil; * O Escuta é sóbrio; * O Escuta é Leal; * O Escuta é respeitador; * O Escuta é bom cidadão; * O Escuta é obediente; * O Escuta é generoso; * O Escuta é puro nos pensamentos, palavras e acções.
Poderia ficar aqui a enaltecer tudo aquilo que o Escuteiro tem de diferente das outras pessoas, mas bastará dizer que o Escuteiro é alguém que vive segundo o espírito da Promessa, da Lei e dos Princípios, ciente de que o seu primeiro dever é a fidelidade para consigo próprio!
"O Amor pode não fazer girar o mundo mas tenho de admitir que faz a viagem valer a pena"
(Sean Connery)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

UM NOVO ANO ESCUTISTA...

Um dos momentos mais importantes da minha vida escutista foi o que aconteceu quando fiz a minha Promessa de Caminheiro, no princípio dos anos 60, no âmbito de um Acampamento Regional de Lisboa.
A passagem do Grupo ao Clã foi memorável e nessa cerimónia fui confrontado com a necessidade de escolher um "tóten" e uma divisa, que iriam ser a minha "marca" para toda a vida. No momento em que me "baptizaram" como o "Lobo Esfaimado", logo prometi a mim mesmo que faria bom uso da honraria desse "tóten" e escolhi por divisa "QUEM NÃO VIVE PARA SERVIR... NÃO SERVE PARA VIVER!".
O Assistente Nacional de então, o já falecido Padre João Ferreira, ao tempo também Capelão Chefe da Força Aérea, convidou-me então para integrar uma Equipa Nacional de Expansão, formada por Caminheiros que se encontravam em Lisboa por motivo de estudos ou do Serviço Militar. Essa Equipa de Expansão tinha por finalidade dar apoio nos programas de desenvolvimento e programação de actividades escutistas, pelo que muitas vezes fomos solicitados a participar em acções de propaganda local em algumas Paróquias onde se estava a implementar o Escutismo.
Quando o Agrupamento era finalmente reconhecido pela Junta Central e estava apto a aceitar a rapaziada que aspirava ser Escuteira, o nosso íntimo parecia que inchava pelo orgulho de termos contribuído com o nosso trabalho para a formação da novel Unidade.
Mas para lá chegar, tinha havido um trabalho de sapa em que todos foram importantes, pois cada um dos elementos da Equipa de Expansão estava "especializado" numa área de conhecimento escutista e fez todos os possíveis por SERVIR, em fidelidade ao lema dos Caminheiros! O ideal escutista era a pedra de toque que nos impulsionava para fazer cada vez melhor o trabalho que nos era imputado.
Lógico que também nos Nacionais era a Equipa solicitada para fazer parte do "staff" que tinha por missão organizar o acampamento. Ao regressar a casa, era possível dormir tranquilo, porque a nossa missão tinha sido integralmente cumprida, porque era uma satisfação sabermos que a nossa Promessa estava a ser cumprida, sem desvios à Lei e aos Princípios!
E no início de cada ano Escutista que se iniciava, lá estava a Equipa de Expansão da Junta Central do Corpo Nacional de Escutas pronta para novas e aliciantes "aventuras" que levassem ao aparecimento de novos Agrupamentos capazes de dar resposta à formação dos jovens segundo os métodos que Baden-Powell nos legou!
O Chefe D. José de Lencastre sempre se orgulhou do nosso trabalho em prol do CNE e nós sempre nos orgulhamos de um dia ter sido possível SERVIR DEUS, A IGREJA E A PÁTRIA através do Escutismo!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

BADEN-POWELL E O CHIFRE DE KUDU

O Chifre de Kudu e os Matabeles O kudu é um dos maiores e belos antilopes da ÁFrica. Ele é também a origem de uma obscura tradição no Escutismo: por todo o mundo, os elegantes chifres espiralados do kudu, ôcos, são usados como um instrumento de sopro, uma corneta, por exemplo, para se fazerem as chamadas nos acampamentos escutistas ou nos cursos de formação de escuteiros.
Em 1890, Baden-Powell lutou na Campanha dos Matabele, onde hoje se situa o Zimbabwe. Os guerreiros Matabele tinham um método único de sinalização militar, usando uma nota profunda emitida com auxílio de um chifre de kudu para enviar sinais codificados a longas distâncias. No final da campanha, B.P. levou um desses chifres para casa, como um troféu - o chifre tinha pertencido ao Chefe Matabele Siginyamatshe.
No acampamento da Ilha de Brownsea, em 1907, os primeiros Escuteiros eram despertados, todas as manhãs, pelo som do chifre de kudu que Baden-Powell resolvera levar para o campo, tal como fizera com alguns dos seus outros trofeus militares favoritos, porque pretendia com eles inspirar os rapazes acampados.

O Fundador era um verdadeiro mestre na arte de contar histórias, pelo que não perdia nenhuma chance de contar os feitos pelos quais ele se tornara famoso.
Foi o Acampamento de Brownsea que marcou o nascimento do Movimento Escutista. Mais tarde Baden-Powell ofereceu o seu chifre de kudu ao novo chefe de campo de Gilwell Park, que se situa nos arredores de Londres e é o santuário da formação de Chefes Escutas por excelência .
Em 1929, no 21º aniversário do Escutismo, foi realizado o Jamboree Mundial em Arrowe Park (Inglaterra). Baden-Powell usou o mesmo chifre de kudu para fazer a chamada de todos os participantes desse Jamboree.
Seguindo uma tradição que remonta há 90 anos, as patrulhas são chamadas a reunir com o toque tradicional do chifre de kudu, durante os cursos da Insígnia de Madeira.
O kudu (Tregelaphus strepsiceros) é uma espécie de antílope cujo habitat vai desde a África do Sul á Etiópia. Um touro Kudu pode chegar a uma altura de 1,5 metros e tem uma coloração que vai de um cinzento avermelhado até quase azul. As suas características de visão aguçada, bom sentido de audição, olfacto apurado e grande velocidade fazem dele um animal difícil de capturar.
Pode parecer estranho que o chifre de um antílope africano, do tipo usado pelos Matabeles como clarim de guerra no século XIX, seja usado para chamar Escuteiros e Chefes por esse mundo fora. John Thurman, grande nome do Escutismo britânico, conta como BP conheceu o chifre de kudu:

"Como coronel em África, em 1896, Baden-Powell comandou uma coluna militar na Campanha Matabele. Foi num raid pelo rio Shangani abaixo que ele primeiro ouviu o som do chifre de kudu. Ele andava confundido pela rapidez com que os alarmes eram espalhados entre os Matabeles, até que um dia se apercebeu que eles usavam o chifre de kudu, o qual tinha uma grande potência sonora. Era usado um código. Assim que o inimigo era avistado, o alarme era tocado no kudu, para todos os lados, e assim transmitido por muitas milhas em pouco tempo."