segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O CÓDIGO DE GILWELL

Se alguma vez fores até Gilwell Park, caro Irmão no Ideal Escutista, será interessante reflectires sobre alguns pontos capazes de te ajudar a superar as dificuldades que irás encontrar na tua caminhada como Formador, se a visita se insere num propósito de dares a tua disponibilidade formativa de forma a que os jovens venham a ter a adequada preparação preconizada pela coeducação escutista.
A essa reflexão poderemos chamar, com toda a propriedade, o Código de Gilwell, conforme nos é transmitido pelo Chefe de Campo de Gilwell John Thurman, e que é composto por 12 pontos que estão assim identificados:
- I - "AMIZADE"; - II - "COMPREENSÃO"; - III - "EXEMPLO"; - IV - "EFICIÊNCIA"; -V - "ACUALIZAÇÃO"; - VI - "ADULTOS"; - VII - "POSITIVO"; - VIII - " ENTUSIASMO"; - IX - "LEALDADE"; -X -"SENSO DE HUMOR"; - XI - "ESFORÇO"; - XII - "TRADIÇÃO".
Estes pontos do Código não foram colocados por ordem da importância que possam ter... porque TODOS SÃO IMPORTANTES quando vamos actuar como formadores de Homens e Mulheres que podem estar em diversos estádios do seu desenvolvimento, porque a formação se faz desde Lobito até Dirigente... e aqui continuará a fazer-se porque o Formador de Formadores apenas poderá acontecer com a formação contínua.
Diz a sabedoria popular "APRENDER ATÉ MORRER"... depois que o filósofo Sócrates sentenciou "SÓ SEI QUE NADA SEI!".
Irei dissecar os pontos de reflexão, um a um, em próximos escritos sobre o tema, porque o Código de Gilwell se destina essencialmente ao aperfeiçoamento das relações entre formadores e formandos.
Felizmente que as Associações Escutistas estão atentas... e o Bureau Mundial não tem descurado a formação.
O Escutismo continuará a ser uma escola de formação integral do jovem, na medida em que haja Formadores que façam do seu trabalho uma dádiva ao seu semelhante.
Quando rezamos a "Oração do Escuta", porque pertencemos ao Escutismo Católico, costumamos dizer:
" Senhor Jesus: - Ensinai-me a ser generoso; a Servir como Vós o mereceis; a dar-me sem medida; a combater sem cuidar das feridas; a trabalhar sem procurar descanso; a gastar-me sem esperar outra recompensa, senão saber que faço a Vossa Vontade Santa. Ámen ".
Meditemos nela!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

EFEMÉRIDES...

Fez agora 50 anos que se realizou, no Estoril, o XI Acampamento Nacional do CNE e III Jamboree Português.
Foi um Acampamento que conincidiu com duas grandes celebrações centenárias de grande significado para todos Portugueses, pois comemoravam-se mais um centenário do nascimento do Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira, o nosso São Nuno de Santa Maria - o querido Patrono Nacional do CNE -, e também o centenário da morte do Infante D. Henrique.
Fui um dos que tive a dita de estar presente neste evento, que teve lugar na Quinta da Marinha, propriedade da ilustre Família Pereira Coutinho.
Foi Chefe de Campo D. José Maria de Queirós e Lencastre, que tinha no seu Staf de Campo os Dr. José Francisco dos Santos, D. José Paulo de Queirós e Lencastre, Cónego Dr. José Martins Gonçalves, Pe. João Ferreira, Dr. José Duarte de Ayalla Botto, Dr. Américo do Carmo Santa Marta, Vitor Manuel de Lima e Santos, João Couto Júnior, Dr. Francisco Sousa Dias, Engº. João Albino Cabral, Dr. Manuel Faria, Dona Eugénia Brandão de Melo, Francisco O. Santos, António Xavier de Oliveira, além do Dr. Magalhães Mota, do Carlos Mana, do Afonso P. Castro e tantos outros que seria entediante inumerar.
Fiquei às ordens do Dr. Magalhães Mota, que superintendia o serviço dos Caminheiros.
Foi uma manifestação de fraterna e alegre amizade que juntou naquele XI Nacional o melhor de uma juventude irmanada no mesmo ideal que nos foi legado pelo Fundador, com a certeza de que o Infante nos indicava a rota e o Santo Condestável nos dava a sua benção, sob o signo da Flôr de Lis e à sombra da Cruz de Cristo, na certeza de que estaremos SEMPRE ALERTA PARA SERVIR não só a Pátria Portuguesa como todas as comunidades dos povos do mundo.
O lema deste XI NACIONAL foi:
"SEMPRE MELHOR!... E MAIS ALÉM!..."

domingo, 8 de agosto de 2010

ESCUTISMOS...

Em tempos já perdidos nas poeiras do passado, Portugal tinha um Governante que não gostava muito dessas modernices espalhadas por um "bife" que tinha o nome Robert Baden-Powell, um cidadão militar inglês inventor de um método de educação que alguns chamariam de revolucionário mas que esse tal governante, que até era o Presidente do Conselho de Ministros de Portugal, chamaria de movimento pervertor de consciências, pois para educar tinhamos cá a Mocidade Portuguesa e essa bastava para levar os jovens por bons caminhos.
Lógico que não ganhou a batalha da proibição e o Escutismo singrou em Portugal, primeiro por força do "arreganho" que foi colocado pela Associação dos Escoteiros de Portugal, que nunca desanimou , e depois pela perseverança posta em acção pelos fundadores do Corpo Nacional de Escutas, que teimaram em não desistir de trazer para o seio da Igreja a magnífica obra educacional já então implantada no mundo chamado civilizado, que tinha o cunho e genialidade de um Lord de Gilwell que até foi General dos Exércitos de Sua Majestade Britânica e foi herói nas Campanhas contra os Matabeles, na Guerra do Boers na África do Sul, mas especialmente pela sua acção durante o Cerco de Mafeking.
Não vou agora dissertar sobre aquilo que foi essa acção, nem sobre os celebrados "Cadetes de Mafeking", porque um Escuteiro não necessitará de ser recordado constantemente da forma como B.P. criou o Movimento de que foi Chefe Mundial.
Aquilo que gostaria é não ter de me confrontar com notícias sobre o Escutismo Mundial que possam dar conta de algumas coisas que podem ser consideradas como alienação e não formação.
Explico: O Escutismo em Moçambique, de que mostro uma fotografia do Agrupamento S. Miguel de Nova Freixo no dia das primeiras Promessas, estava vivo e recomendava-se, até ao dia em que a independência do território tornou Moçambique numa República Socialista de inspiração comunista. Aproveitando a existência do Escutismo, o Governo de Joaquim Chissano resolveu autorizar o "ressuscitar" do Movimento... mas há a possibilidade de que se possa tornar em algo a controlar pelo Governo, sendo relevante o facto de o Presidente da República de Moçambique em exercício ser assim uma espécie de "manda chuva" do Escutismo, com o cargo de "Patrono" do Escutismo Moçambicano, enquanto o anterior Presidente, Joaquim Chissano, é o Presidente do Conselho Nacional, cargo até à pouco exercido por Brazão Mazula... que nos seus tempos de Padre Missionário da Consolata foi Assistente do Agrupamento nº. 424 - S. Miguel de Nova Freixo, nos tempos do Corpo Nacional de Escutas da era colonial.
Há um Director Nacional... "importado", porque não é Moçambicano mas sim Polaco, chamado Leonardo Admowicz, que se julga reportar ao Presidente de Moçambique e dele recebe luz verde, ou não, para se cumprirem os programas do Escutismo Mundial. Acredito que tenha qualidades para o exercício do cargo!
Seria bom que a Liga do Escuteiros Moçambicanos, criada em 1994, viesse a ser a verdadeira impulsionadora do Escutismo em Moçambique, dentro do espírito de Baden-Powell e que não venha a copiar a repetição dos erros que acontecem em muitos paízes de África, onde são um exemplo nulo e até causa impressão ouvir dizer que são ESCUTEIROS!
Sei que Chissano e Guebuza são pessoas bastante responsáveis e não querem impor ninguém a obrigatoriedade de ser militante da FRELIMO para ser Escuteiro. Nem a Igreja Moçambicana iria permitir uma indignidade dessas.
Confiemos, pois, que o Governo de Moçambique permita aos jovens seguir o ideal de educação integral preconizado por Lord Baden-Powell of Gilwell, de molde a serem exemplo para o mundo, que os espera nos Jamborees, nos Rover, nos Indaba, para, de mãos dadas com eles, poderem gritar ao mundo: O ESCUTISMO É UMA FRATERNIDADE MUNDIAL !

sábado, 24 de julho de 2010

ESCUTISMO - UM IDEAL DE VIDA

Porque gosto de lêr tudo o que fale de Escutismo, para estar a par de tudo o que respeita ao Movimento em boa hora criado por Baden-Powell, foi com espanto que vi postado num blogue, no aniversário de B.P., o texto que segue:

"Confesso que tive sempre alguma aversão, senão mesmo repugnância por aqueles meninos penteadinhos e bem comportados, usando calções faça chuva ou faça sol, sempre dispostos a ajudar a velhinha a atravessar a estrada, sistemáticamente "acampados" nas portas das igrejas ao domingo de manhã e, sempre na primeira linha das procissões.
Nos meus tempos de menino ser escuteiro era ser menino queque e, só iam para os escuteiros os filhos das "boas famílias". Nos meus tempos de rapaz - pós 25 de Abril e em pleno PREC - ser escuteiro era ser um betinho e, só iam para os escuteiros os filhos das "boas famílias" e, geralmente associadas aos partidos reaccionários e aos sectores mais conservadores da igreja católica.
(Já não haviam muitas procissões - sinais dos tempos - mas o acampamento dominical à porta das igrejas mantinha-se, acompanhado agora, pela venda de calendários).
No meu tempo de menino, ser escuteiro implicava andar de caixinha ao peito, nos peditórios da Liga Portuguesa Contra o Cancro; ir à missa ao domingo de manhã e participar nas quermesses da caridadezinha; não poder "ir à laranja" à Quinta de Sant'Ana; não poder ir apanhar pássaros a lagartixas para a Quinta da Rendeira; ser expressamente proibido de descer a Rua Estevão Liz Velho em carrinhos de rolamentos; não poder mandar bisnagadas de água às raparigas no Carnaval; não ter autorização dos pais para lançar papagaios de papel nas escarpas de Santos Nicolau e, não poder dar respostas fortes ao padre Ramalho, no ciclo preparatório de Bocage, nas aulas de Religião e Moral que eram uma seca.
Nos meus tempos de menino e rapaz, havia sempre a possibilidade de alguém das classes mais desfavorecidas ingressar nos escuteiros - não lhes era vedada a entrada; mas era necessário ter muito estofo para aguentar a chacota dos outros - os "de bem" - e a descriminação encapotada.
Nos meus tempos de menino e rapaz ser escuteiro significava ser "do sistema" que há época se chamava "situação" e, não havia fascista digno do nome que não tivesse o filho nos escuteiros.
Participar nos escuteiros era assim como que uma espécie das actuais Jotas partidárias; uma incubadora para o ingresso na vida pública/política.
Não sei se foi azar meu ou azar aos escuteiros, ou ambas as coisas; mas ao longo da minha vida, tudo o que vi associado ao escutismo e aos escuteiros, foi sempre uma perversão da ideia base que, levou Baden-Powell a criar o primeiro agrupamento de escuteiros em 1907, ou a escrever Escutismo para Rapazes, corria o ano de 1908; Resposta aos graves problemas sociais - desemprego e subnutrição - que empurravam as crianças das classes operárias para violentos confrontos e delinquência nas ruas de Inglaterra.
Baden-Powell que me desculpe e descanse na Paz do Senhor mas, para mim o escuteiro será sempre o menino vestido de parvo e, o chefe, o parvo vestido de menino.
E com o sinal de pista, como o que está desenhado na sua campa em Nyeri no Quénia que significa "Fui para casa", me despeço."

Porque as vozes de burro não chegam aos céus, li e não liguei, pois o autor deste espectacular monumento à estupidez humana não merece que se dê publicidade a tanta cretinice, porque apenas um cretino terá a lata suficiente para dizer tantas asneiras numa só postagem.
O Escutismo continua a ser uma escola de virtudes, um método impar na formação dos nossos jovens, porque lhes dá carácter, sentido do dever, da honra, da amizade, do serviço em prol da comunidade! Mesmo que pareça utópico, não há da parte dos Escuteiros qualquer sentimento de repúdio para com as atoardas que o autor escreveu, porque "O ESCUTA É PURO NOS PENSAMENTOS, NAS PALAVRAS E NAS ACÇÕES".
O Escutismo continua a ser um Movimento Educativo que procura desenvolver no jovem, nos seus momentos de liberdade, as qualidades morais e físicas que façam dele um homem feliz, mais capaz e um bom cidadão. Isso nos importa.
Boa Caça.
Lobo Esfaimado

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O VALOR DA PROMESSA

Um Escuta, após ter feito a sua Promessa, assume um papel especial na Sociedade em que está inserido, porque lhe são imputados deveres para com Deus, de quem é filho, a Igreja, que lhe indica o caminho para o Pai, e a Pátria, como consta do artigo 2º. dos Princípios... mas estes deveres não são "nucleares" para todos os cidadãos, pois os não Escuteiros não estão marcados com o sinal indelével consubstanciado na Lei, Princípios e Promessa!
"PROMETO POR MINHA HONRA E COM A GRAÇA DE DEUS FAZER TODO O POSSÍVEL POR CUMPRIR OS MEUS DEVERES PARA COM DEUS E A PÁTRIA, AUXILIAR OS MEUS SEMELHANTES EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS, OBEDECER À LEI DO ESCUTA!".
É, sem dúvida, a pedra de toque para uma vida plena... e não deixa de ser curioso que ninguém tenha feito qualquer observação para o facto de a Promessa não imputar a quem a profere o ferrete da "obrigação" de cumprir em qualquer circunstância, porque no Escutismo não existe a obrigação de nada! O Escuta faz as coisas seguindo à risca a divisa do Lobito: - Faz tudo "DA MELHOR VONTADE" e procura sempre "SER MELHOR...MELHOR...MELHOR", como é alvitrado no Grande Uivo.
Tive um Assistente que afirmava ter a Promessa Escutista o mesmo significado do Sacramento da Ordem, pois enquanto este Sacramento lhe imprimiu as "marcas indeléveis" que Cristo lhe veio atribuir, para o tornar membro do Povo Sacerdotal para o resto da sua vida, também ao fazer a Promessa se tornou Escuteiro para toda a vida, razão porque entendia bem o significado da expressão "ESCUTEIRO UM DIA... ESCUTEIRO TODA A VIDA!".
E não deixa de ser importante o facto de serem comuns em todo o mundo a Lei, a Promessa e os Princípios, tal como o é a "Bíblia" escutista que é o ESCUTISMO PARA RAPAZES, verdadeiro "Vade-mecum" do Movimento de Baden-Powell. As Palestras de Bivaque nº. 2 e 3 sempre foram consideradas, por mim, palestras vitais para a formação de um bom Escuta... e aí podemos reflectir até no que a Promessa significa para nós, Escuteiros. Basta atentar nesta passagem: ..."O chefe pergunta, então: - 'Sabes o que é a tua honra?'
O aspirante: - 'Sei, sim: quer dizer, que se pode confiar que sou verdadeiro e honesto.
- Conheces a Lei do Escuteiro?
- Conheço, sim!"
Que bom seria todos conhecerem as leis que os regem! Talvez o mundo fosse um pouco melhor, como era desejo do Fundador... e o será de cada um daqueles que um dia fizeram a sua Promessa: "PROMETO..."
Boa Caça
Lobo Esfaimado

terça-feira, 1 de junho de 2010

dia mundial DA CRIANÇA!

O Dia Mundial da Criança começou a comemorar-se em 1950. Ao contrário do que muita gente pensará, o Dia Mundial da Criança não é uma festa que tenha as crianças como figura central, pois é muito mais do que isso, bastando que se esteja atento àquilo que se passa no mundo para se perceber a necessidade deste dia em que devemos proporcionar à criança toda a felicidade do mundo. Talvez a sociedade possa estender este dia por 365 dias... e então sim! Deixamos de ter de "comemorar" um dia das crianças, porque teremos o ano todo a ser-lhes dedicado. Foi em 1945, apenas terminada a 2ª Guerra Mundial, que tudo começou. Houve muitos países da Europa, do Médio Oriente e a China que entraram em crise, por falta de condições de vida.
Este é um dia em que devemos pensar nas milhares de crianças que continuam a sofrer maus tratos, contraem doenças, têm fome ou sofrem discriminações (ser-se discriminação significa que se é postode lado... por ser diferente).
As crianças desses países viviam bastante mal por falta de comida, mas os pais estavam mais preocupados com o poderem voltar à sua vida normal do que com a educação dos filhos. Algumas dessas crianças nem pais tinham, pois eram órfãs da guerra!
Por falta de dinheiro, muitos pais tiravam os filhos da escola e colocavam-nos a trabalhar, por vezes durante horas a fio e em trabalhos muito duros. Foi então que em 1946 se reuniu um grupo de países da ONU (Organização das Nações Unidas) para começarem a tentar resolver este problema, nascendo assim a UNICEF.Mas era difícil estar-se a trabalhar para as crianças, pois nem todos os países do mundo mostravam interesse no cumprimento dos direitos da criança.
Em 1950, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas a criação de um dia que fosse dedicado às crianças de todo o mundo. E este dia começou a ser comemorado, pela primeira vez, logo no dia 1 de Junho desse ano, tendo os estados-membros das Nações Unidas reconhecido às crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social o direito a:- afecto, amor e compreensão;- alimentação adequada;- cuidados médicos;- educação gratuita;- protecção contra todas as formas de exploração;- crescer num clima de Paz e Fraternidade universais.
Só nove anos depois, em 1959, estes direitos das crianças foram passados ao papel, mas no dia 20 de Novembro desse mesmo ano algumas dezenas dos países, que fazem parte da ONU, aprovaram a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Educação para a cidadania...

Ultimamente, seja lá por causa do que seja, tem-se verificado um surto de bom senso a espalhar-se um pouco por todo o País, como seja, por exemplo, o "LIMPAR PORTUGAL" em boa hora desencadeado, que tem contribuído para que os espaços verdes e linhas de água, que estavam a chegar a um ponto de alarmante ruptura, estejam a ficar um pouco mais limpos daquilo que a falta de civismo de alguns os estavam a condenar.
E fico contente por verificar que em alguns pontos deste jardim à beira mar plantado são os Escuteiros - CNE, AEP ou Guias de Portugal - a dar o exemplo e partindo para a "aventura ecológica" de promover a limpeza das matas, leitos dos rios ou baldios onde a insensatez de uns tantos estava em vias de causar um desastre ecológico.
Na minha formação como Escuteiro também tinha de estar atento à proliferação de atentados ambientais diversos, que exigiam o exacto cumprimento da divisa "ALERTA" e à prática da Boa Acção de cada dia através da limpeza dos espaços envolventes da comunidade, tal como me era muito caro o prestar apoio aos doentes, ajudar nas várias campanhas de solidariedade... enfim: cumprir aquilo a que me obrigava o usar um lenço ao pescoço e uma Flor de Lis ao peito, desde o dia em que prometi perante Deus, a Igreja e a Pátria ser útil ao meu semelhante.
Hoje diz-se que é estar imbuído de espírito de cidadania... e estou plenamente de acordo: O Escuteiro é um dos pioneiros da educação para a cidadania, mesmo que não o saiba! Basta-lhe que seja um cidadão atento e cumpra a Lei, a Promessa e os Princípios... e a cidadania estará garantida.
Alguém disse que "Educar para a cidadania pode ser desenvolver a vontade de participar quando tudo parece convidar ao conforto da indiferença e da preguiça. Quando lá fora chove e estamos quentes, quando lá fora há choro e cá dentro mordomia, quando lá fora há fogo e cá dentro frescura, quando lá fora há fome e frio e cá dentro há calor e “abastança”."
"Educar para a cidadania pode ser consumir tempo com os outros quando o tempo nos voa para as nossas tarefas; é ouvir os ruídos urgentes quando preferíamos o silêncio; é ficar, quando preferíamos regressar, se o outro precisa de nós."
"Educar para a cidadania pode ser fazer gostar dos lugares onde vivemos com os outros, a nossa casa, a nossa escola, a nossa cidade, o nosso país, o nosso mundo, tornando-os mais belos, mais humanos, mais saudáveis, mais justos, menos esgotados, um lugar também para os vindouros."
Antigamente era difícil convencer as pessoas de que o acto de limpar não era apenas um contributo para evitar contaminações ou doenças várias inerentes à falta de higiene, como também era um acto de civismo que se praticava. Hoje está implicito na educação para a cidadania, como estará o acto de votar, de socorrer o próximo, de ser solidário com aquele que sofre, de educar, enfim ser participante activo na vida da comunidade local, regional, nacional ou internacional, porque ser-se um cidadão consciente torna-nos "Cidadãos do Mundo"! É este o valor da educação para a cidadania!